A quem ainda acessa este blog, à procura de algo interessante para ler, minhas desculpas. Tenho estado muito ocupado e quando penso em postar algo, há sempre outra atividade a requerer atenção. E olha que aconteceu muita coisa.
Eles se foram
Muito chatos os últimos dias, com as partidas de gente amiga e da área artística. Walter Bandeira iniciou. Todos escreveram tanto. Parece que Walter tinha muitos amigos. E no entanto, era muito reservado. Aquelas brincadeiras agressivas, sempre com a homossexualidade envolvida, eram uma barreira de fumaça, para esconder sua timidez, proteger-se. Quando aquilo passava, transformava-se em pessoa doce, inteligente, culta e disposta a ouvir. Ele embalou minha adolescência, quando cantava nas tertúlias da Assembléia Paraense, uma música, em parceria com Luiz Otávio Barata, que dizia "eu e eu, e esse amor que só vive em mim, que nem mesmo sabe morrer, sendo eterno na dor". Eu precisei, liguei, pedi e ele veio correndo, com sua alegria quase juvenil, cantar com Marco Monteiro e Nilson Chaves, os temas de Quando a sorte te solta um cisne na noite, que foi mostrada no Cuíra. Não, ele não foi assistir.
Ronald Bergmann foi agora no final de semana. Era um grande bailarino e ator. Fez o Boto Sinhá, Angelim e adiante, já em São Paulo, dirigiu um grupo de lá, remontando o Bôto. Muito legal. Estávamos no ensaio. Li para o elenco de Quando a sorte te solta um cisne na noite, um texto difícil, pesado, sério, até agressivo, sobre os gays. Ele levantou o dedo. Esse eu quero dizer. Era vaidoso, como todo artista, bonito e cheio de talento. Que chato. E ontem, o pai de Ronaldo Fayal, que veio correndo do RJ, deixando a novela da Índia por alguns dias, ele que é um dos principais maquiadores da Globo. Está bom?
terça-feira, 16 de junho de 2009
segunda-feira, 1 de junho de 2009
A explosão anunciada de uma bomba
Belém está fora da Copa. Após adiamentos, a Fifa anunciou as cidades que receberão jogos em 2014. Alguma surpresa? Fiz o que pude para não emitir opinião. Quando se é contra, nesta terra, confundem-nos com inimigos. Mas é que não merecemos. Claro que, para um povo tão sofrido, próximo à barbárie, miserável, faminto, desempregado, uma Copa do Mundo seria um alento e produziria alguns trocados na economia informal. Mais de 99%, no entanto, se perderia no meio do caminho. Não merece a Copa nossa elite empresarial, de mentalidade tacanha, recusando-se ao novo, a contribuir para o bem comum, tão egoísta de seus milhões que curte em coberturas, carrões e viagens sem fim, de onde não trazem nada de bom para os outros. Não merece nossa classe política, permanentemente mobilizada para briguinhas de esquina, solapando como pode o progresso do Estado, da cidade, em troca de objetivos mesquinhos. A manchete, editorial e artigos de O Liberal de hoje não são apenas ridículas, mas dignas de um Casseta e Planeta, sem nenhum constrangimento. Não merece a Copa nossa classe de dirigentes esportivos, incompetentes, despreparados, amadores, bobos, pensando ser espertos. Acontecer em Belém jogos da Copa, seria encher essa turma de dinheiro, não realizar de maneira mínimamente decente as obras e nos envergonhar ainda mais.
Copa do Mundo não é futebol e sim, turismo. Manaus é turismo. É sinônimo de Amazônia. Nós, em Belém, não temos turismo, a não ser de negócios, gente que vem trabalhar, doida para voltar. O teto está caindo e ainda há quem esteja levantando um brinde à merda em que estamos atolados. Sinto-me triste. Melancólico. Ando pelas ruas imundas, lotadas de mendigos, camelôs, gente pobre, maltrapilha, em transportes pútridos, e não sei de onde tiro esse amor todo que tenho por Belém, pelo Pará. Ao longo de todos os tempos, lutamos contra nós próprios. Será índole? Não somos empreendedores. Pelo contrário, egoístas, queremos tudo somente para nós. Nada de dividir e imaginar que cresceremos juntos. A culpa é toda nossa. Nós votamos nessas pessoas. Ao invés de votar naquele que pretende fazer o melhor, se é que entre os candidatos há essa possibilidade - não há - votamos naquele que prometeu nos arrumar alguma coisa, algum percentual, contrato, negócio, trocado, emprego, qualquer coisa. Ou meramente porque odiamos o outro, o grupo do outro. Nada tem de ideológico. Nós e os outros. Eles. Nós ganhamos, eles perderam. Nós estamos nos matando. Hoje, somos uma minoria de minoria a pensar no melhor. A grande maioria está abaixo da linha da pobreza. A outra, conta seus tesouros.
Os programas de rádio hoje vão discutir tudo isso exaustivamente. Vão todos chamar Ricardo Teixeira de fedepê, que ele realmente é, listar suas falcatruas, corretamente, se aborrecer, mais uma vez, com o presidente da Federação, que alegremente vai chefiar uma delegação de seleção, cagando e andando para nossa "desgraça", afinal, é seu prêmio por votar em mais uma reeleição, enfim, esperneios. Perdemos. Não merecíamos. Meu choro é por um futuro melhor, uma cidade mínimamente digna, um Estado a altura de seu potencial. Meu choro é porque não vejo solução. Não há futuro. O choque de agora, provocou apenas esses resmungos imbecis. Adiante, quando as obras se espalharem, pode ser que o estrondo da bomba chegue até nós. Quem sabe, depois desse desastre monumental que nos rebaixa em todos os sentidos, passemos a reconstruir algo melhor, justo, honesto, moderno, empreendedor. Nossos bisnetos merecem...
Copa do Mundo não é futebol e sim, turismo. Manaus é turismo. É sinônimo de Amazônia. Nós, em Belém, não temos turismo, a não ser de negócios, gente que vem trabalhar, doida para voltar. O teto está caindo e ainda há quem esteja levantando um brinde à merda em que estamos atolados. Sinto-me triste. Melancólico. Ando pelas ruas imundas, lotadas de mendigos, camelôs, gente pobre, maltrapilha, em transportes pútridos, e não sei de onde tiro esse amor todo que tenho por Belém, pelo Pará. Ao longo de todos os tempos, lutamos contra nós próprios. Será índole? Não somos empreendedores. Pelo contrário, egoístas, queremos tudo somente para nós. Nada de dividir e imaginar que cresceremos juntos. A culpa é toda nossa. Nós votamos nessas pessoas. Ao invés de votar naquele que pretende fazer o melhor, se é que entre os candidatos há essa possibilidade - não há - votamos naquele que prometeu nos arrumar alguma coisa, algum percentual, contrato, negócio, trocado, emprego, qualquer coisa. Ou meramente porque odiamos o outro, o grupo do outro. Nada tem de ideológico. Nós e os outros. Eles. Nós ganhamos, eles perderam. Nós estamos nos matando. Hoje, somos uma minoria de minoria a pensar no melhor. A grande maioria está abaixo da linha da pobreza. A outra, conta seus tesouros.
Os programas de rádio hoje vão discutir tudo isso exaustivamente. Vão todos chamar Ricardo Teixeira de fedepê, que ele realmente é, listar suas falcatruas, corretamente, se aborrecer, mais uma vez, com o presidente da Federação, que alegremente vai chefiar uma delegação de seleção, cagando e andando para nossa "desgraça", afinal, é seu prêmio por votar em mais uma reeleição, enfim, esperneios. Perdemos. Não merecíamos. Meu choro é por um futuro melhor, uma cidade mínimamente digna, um Estado a altura de seu potencial. Meu choro é porque não vejo solução. Não há futuro. O choque de agora, provocou apenas esses resmungos imbecis. Adiante, quando as obras se espalharem, pode ser que o estrondo da bomba chegue até nós. Quem sabe, depois desse desastre monumental que nos rebaixa em todos os sentidos, passemos a reconstruir algo melhor, justo, honesto, moderno, empreendedor. Nossos bisnetos merecem...
terça-feira, 26 de maio de 2009
O Tempo do Cabelo Crescer
Amigos,
No próximo dia 29, sexta feira, a partir das oito horas da noite, no Teatro Cuíra, que fica na esquina das travessas Riachuelo com Primeiro de Março, lanço o livro O Tempo do Cabelo Crescer, coletânea dos meus primeiros quatro trabalhos, na área da poesia.
Comecei com Navio dos Cabeludos em 1984 e depois passei por Mr. Bentley e Óleo (áudio poemas em fita cassete), O Rei do Congo, Surfando na Multidão e Incêndio nos Cabelos, esta último, em 1995. Depois disso, escrevi romances, crônicas, teatro e contos. O Tempo do Cabelo Crescer, é uma maneira de retomar um estilo poético mais leve, baseado nos poetas marginais dos anos 70, que propuseram uma linguagem engajada na atualidade, usando gírias, frases, elementos do cotidiano e, principalmente, despindo a poesia de uma espécie de farda conservadora e respeitável que adquiriu, com o tempo, contrária ao passado. Antigamente, os poetas eram como os artistas pop de hoje. Levar a poesia de volta a esse convívio com os jovens, é a idéia que permanece. Junto com o livro, virá encartado um cd com o conteúdo das duas fitas com áudio poemas, citadas anteriormente.
Dentro desses espírito, e porque o lançamento ocorrerá no Teatro Cuíra, haverá intervenções poéticas, feitas pelos atores Adelaide Teixeira, Luisa Braga e Joaquim Araújo, dizendo alguns poemas incluídos no livro, publicado sob os auspícios da Lei Municipal de Cultura Tó Teixeira e o patrocínio do Hotel Regente.
Conto com vocês para uma boa divulgação. A poesia ainda é a melhor declaração de amor inventada por um ser humano.
No próximo dia 29, sexta feira, a partir das oito horas da noite, no Teatro Cuíra, que fica na esquina das travessas Riachuelo com Primeiro de Março, lanço o livro O Tempo do Cabelo Crescer, coletânea dos meus primeiros quatro trabalhos, na área da poesia.
Comecei com Navio dos Cabeludos em 1984 e depois passei por Mr. Bentley e Óleo (áudio poemas em fita cassete), O Rei do Congo, Surfando na Multidão e Incêndio nos Cabelos, esta último, em 1995. Depois disso, escrevi romances, crônicas, teatro e contos. O Tempo do Cabelo Crescer, é uma maneira de retomar um estilo poético mais leve, baseado nos poetas marginais dos anos 70, que propuseram uma linguagem engajada na atualidade, usando gírias, frases, elementos do cotidiano e, principalmente, despindo a poesia de uma espécie de farda conservadora e respeitável que adquiriu, com o tempo, contrária ao passado. Antigamente, os poetas eram como os artistas pop de hoje. Levar a poesia de volta a esse convívio com os jovens, é a idéia que permanece. Junto com o livro, virá encartado um cd com o conteúdo das duas fitas com áudio poemas, citadas anteriormente.
Dentro desses espírito, e porque o lançamento ocorrerá no Teatro Cuíra, haverá intervenções poéticas, feitas pelos atores Adelaide Teixeira, Luisa Braga e Joaquim Araújo, dizendo alguns poemas incluídos no livro, publicado sob os auspícios da Lei Municipal de Cultura Tó Teixeira e o patrocínio do Hotel Regente.
Conto com vocês para uma boa divulgação. A poesia ainda é a melhor declaração de amor inventada por um ser humano.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
I don't wanna grow up
Nunca tive pressa de crescer. Fui criança até quando pude. Estudei o primário no Suiço Brasileiro. De lá, guardo no coração alguns colegas que de vez em quando encontro nas ruas. A convivência era mais com meus irmãos. Cinco irmãos, cada um mais genioso que o outro, comandados por uma mãe maravilhosamente louca e um pai que no momento certo decidiu adolescer também, voltando a fazer música, convivendo com os filhos. No meu primeiro dia de aula no Colégio Nazaré, onde fiz ginásio, científico e vestibular, ouvi o palavrão "porra", sem saber do que se tratava. Era criança. Muito criança. Foi ótimo daí em diante, porque ao mesmo tempo em que o universo da molecada invadiu minha vida, a outra vida, dentro de casa, com meus irmãos, continuou intensa, forte e me protegendo de todas as maneiras, continuei criança. A vida interior, com os livros e as histórias do mundo. Era o "campeão do tranca", disputado em bicicletas, na Praça da República, nosso playground luxuoso. Ali jogava peteca com os motoristas de praça, que ficavam de plantão pela Osvaldo Cruz, próximo à esquina da Presidente Vargas. Ou brincava de cavaleiro medieval construindo espadas, escudos, pintados conforme os filmes e os livros de Ivanhoé, por exemplo. E no cinema passava Scaramouche, os Três Mosqueteiros. Meu avô me emprestou toda a coleção de Alexandre Dumas. O professor Berbary, de Português, passou trabalho a partir de livros que tínhamos de ler. Para mim, Menino de Engenho, de José Lins do Rêgo. Pedi ao meu avô, emprestado. Abro o livro e está uma dedicatória de Rêgo. Caraca. Me pegou. Nunca mais larguei os livros. Li os outros dois, Doidinho e Banguê. Uau. E os colegas trouxeram a adolescência para mim. Um irmão marista ensinou Educação Sexual. Lembro dele, explicando o saco escrotal e as risadas inocentes que dávamos. As tertúlias dançantes da Assembléia Paraense, ao som de Guilherme Coutinho e Walter Bandeira. Do início ao fim, dançando. Quer dizer, depende. Uma vez, estava animado, mas a garota pediu para parar. Suas companhias iam embora. Está bem. Eram as duas últimas músicas. Eu queria dançar até o fim. Olhei e vi a menina. Devia ter minha idade, mas como era bem bonita, era assediada pelos mais velhos, a eles também preferia dar atenção. E daí? É preciso terminar a noite. Vamos dançar? Não, estou cansada. Pau na testa. Morava quase ao lado do clube. Voltava à pé. Os amigos se reuniam e pegavam taxi. Começaram a me contar que iam dar voltas, antes. Iam à Condor, o bairro boêmio, prostitutas. Uma noite decidi ir, também. O carro cheio de guris. O motorista, ao saber o destino, começou a dizer que achava certo. Que meninos precisavam começar cedo na sacanagem. Nós, atrás, sem dar palavra, a não ser um, que ia respondendo, dando corda ao assunto. Chegamos à praça da Condor. Redonda. Em volta, uma multidão misturando homens e mulheres, à porta das boates. O motorista pergunta onde ficamos. Nosso amigo pede que ele dê a volta na praça. Vamos, lentamente, olhos grudados nas "mulheres da vida" que estão à vontade, indo e vindo em seu trottoir. Ao final da volta, o motorista olha como quem pergunta " e agora"? Volta para o centro, ele ordena. O motorista não diz nada. Nem ninguém. Calados, voltamos todos. Mas aconteceu, claro. Fomos outra noite até lá. Meu primo me chama. Tem duas ali que consegui para nós. Vamos atrás delas. Fomos. Sinceramente, não lembro do rosto, de nada. Era um quartinho com lugar apenas para a cama. Lembro do cheiro. Só. Rápido. Uma semana depois, gonorréia. Vou à farmácia. A enfermeira, com a seringa nas mãos, indica que deve aplicar a injeção nas nádegas. Claro que não, brado, feito Randolph Scott. Ela aplica no braço. No caminho de 100 metros até minha casa, choro de dor.
O amor chegou e se armazenou no meu peito com todo o romantismo dos livros que lia. Houve duas ou três palavras trocadas e nunca mais. Ficou algo platônico. Em uma viagem, a que seria a primeira namorada. Turma de adultos. Por exclusão, ficávamos juntos. Voltamos. Em julho, Mosqueiro, o mítico Mosqueiro de tantas recordações. Boate Ressaca, dançamos colados. Tenho de ir. Está bem. Tchau. Volto para casa e fico sem dormir. O que houve? Estava namorando? No dia seguinte, vou até sua casa e não acontece nada. As férias acabaram. Encontramos na boate da AP. Estamos indo para o Papa Jimi. Quer ir? O namorado da minha irmã paga. Tá. Dançamos. Ela pergunta, enfim, se estamos namorando. Sim. Ufa. Durou pouco tempo. As familias, amigas, torceram. Não deu. A adolescência durou muitos outros anos. Quem tem pressa de crescer? O mundo nos pressiona. Vestibular. Carreira. Trabalho. Aos 17 anos, não sabia se queria ser jornalista, radialista, talvez advogado. Escrevi minha primeira peça de teatro. No meu colégio, havia apenas turmas de Medicina e Engenharia. Fiz Engenharia, passei. Hoje sou formado em Jornalismo. Penso que manter a mesma curiosidade em relação ao mundo, a todas as coisas, é um dos meus segredos. Hoje, não sei bem o que sou. Criança, certamente, não. Um adolescente que se recusou a virar adulto? Um adulto que se recusou a envelhecer? Tenho avidez pela vida. É o título de meu livro de poemas inédito, a sair até o final do ano. Ávida a vida. Não quero crescer.
O amor chegou e se armazenou no meu peito com todo o romantismo dos livros que lia. Houve duas ou três palavras trocadas e nunca mais. Ficou algo platônico. Em uma viagem, a que seria a primeira namorada. Turma de adultos. Por exclusão, ficávamos juntos. Voltamos. Em julho, Mosqueiro, o mítico Mosqueiro de tantas recordações. Boate Ressaca, dançamos colados. Tenho de ir. Está bem. Tchau. Volto para casa e fico sem dormir. O que houve? Estava namorando? No dia seguinte, vou até sua casa e não acontece nada. As férias acabaram. Encontramos na boate da AP. Estamos indo para o Papa Jimi. Quer ir? O namorado da minha irmã paga. Tá. Dançamos. Ela pergunta, enfim, se estamos namorando. Sim. Ufa. Durou pouco tempo. As familias, amigas, torceram. Não deu. A adolescência durou muitos outros anos. Quem tem pressa de crescer? O mundo nos pressiona. Vestibular. Carreira. Trabalho. Aos 17 anos, não sabia se queria ser jornalista, radialista, talvez advogado. Escrevi minha primeira peça de teatro. No meu colégio, havia apenas turmas de Medicina e Engenharia. Fiz Engenharia, passei. Hoje sou formado em Jornalismo. Penso que manter a mesma curiosidade em relação ao mundo, a todas as coisas, é um dos meus segredos. Hoje, não sei bem o que sou. Criança, certamente, não. Um adolescente que se recusou a virar adulto? Um adulto que se recusou a envelhecer? Tenho avidez pela vida. É o título de meu livro de poemas inédito, a sair até o final do ano. Ávida a vida. Não quero crescer.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
Algum filho da puta
Não é novidade que a Cultura e a Educação são os dois primeiros ítens a serem cortados em momento de crise. Tem sempre algum filho da puta desses economistas, que alegremente acha que está cortando a farra de alguns viados e sapatões que fazem música, teatro e outros. Trabalhei algum pouco tempo na Secretaria de Cultura. A cada vez que vinha o tal QDQT, o secretario La Penha tinha um ataque de raiva, botava o paletó e ia direto ao governador, de onde saía mais tranquilo. Agora, como se não bastasse a não existência de qualquer política para a área, e as intermináveis discussões de um tal Plano de Cultura que nunca chega; de um secretário cujo rosto ninguém conhece, quanto mais as opiniões, vem algum filho da puta e além do corte de 30% anunciado pela governadora, faz um corte de mais de 50% no orçamento da Fundação Tancredo Neves. A Cultura, esgarçada, dividida como butim, onde dirigentes de diferentes partidos sentam nas cadeiras mas não podem fazer nada, agora chegou ao fim. Não há como funcionar. O Centur virou um elefante branco, onde algumas pessoas chegam, sentam e aguardam o fim do expediente sem nada para fazer. Quanto a nós, que fazemos Cultura, ficamos pior. Alguém dirá que devíamos ir à luta para continuar nossos trabalhos, sem precisar de "ajuda" do governo. Cultura é diferente. É muito maior. Depois, foi a criação das leis culturais que arrebentou com o que havíamos construído, em termos de relacionamento com empresas, conscientes do poder da mídia cultural. Hoje, nem o governo tem qualquer dinheiro para Cultura, nem os empresários querem apoiar através da lei, com medo de fiscalizações, pior ainda se for com dinheiro próprio. Melhor parar? Dar o fora, deixar pra lá, que isso só traz desgaste e parecemos estar em pequeno número. Afinal, que torce para a Cultura? Se fazemos peça de teatro, dança, sei lá e mesmo os que gostam ou gostavam, dão apoio, manifestam-se a favor, mas não vão ao teatro? Quem está por nós? Ninguém. Estamos incomodando, irritando, meramente por nos negarmos a desistir. Está difícil. Estou no limite. E ainda vem algum filho da puta e corta o dinheiro da Cultura.
Que Literatura?
Foram duas notícias, na mesma coluna, de jornalista não confiável, é verdade, mas a demonstrar o momento que vivemos na área da Literatura no Pará, em Belém. A primeira dá conta do 2o. Jirau de Literatura Paraense, com inscrições abertas até 15 de maio e realização entre 28 e 30 do mesmo mês, com apoio da Fundação Cultural Tancredo Neves e Ufpa e realização da Associação de Escritores da Amazônia. Meu amigo Salomão Laredo me convidou para a primeira edição, mas não pude aceitar. De qualquer maneira, não aceitaria. Está tudo errado. Durante os doze anos tucanos, fui censurado, sobretudo nesta área. Não podia ser convidado para nada, nem meus livros utilizados para qualquer coisa. Mas é que agora, um gesto tão amador quanto o deste Jirau, soa como grave ofensa. Nem a Secretaria de Estado, nem a Fumbel têm qualquer política para Literatura. Nada. Simplesmente nada, a não ser a tal Feira, que é um belo momento para livreiros e alguns escritores do sul, que vêm para ser acarinhados, passear e comer bem. Para os autores locais, nada. E então, no momento em que existem várias ações no resto do Brasil, valorizando autores locais e que ao contrário, nada disso ocorre, realizar esse Jirau, onde as autoridades entram apenas com o local e os escritores levam seus livros, sua banquinha e ali ficam aguardando, certamente, seus familiares, não o público, me parece humilhante demais. Pior do que isso, somente ler, na mesma infame coluna, que a Secult, do secretário Edson recusou convite da famosa Feira de Livro de Porto Alegre, a mais antiga e maior do país, para que o Pará fosse o Estado convidado. Está bem que não tendo nada a oferecer, deveria ter dado vergonha, aí a razão da negativa. Infelizmente, não foi por isso. Temos o centenário de Dalcídio Jurandir, temos autores, que teimosos, recusam-se a sumir. E ainda temos de suportar isso.
segunda-feira, 20 de abril de 2009
A Censura à Imprensa
Tenho acompanhado em meus blogs preferidos, o debate a respeito da atitude de uma juiza, proibindo nossos jornais de publicar em seus cadernos policiais, fotos de vítimas de agressão, que vinham se revelando procedimento sistemático, em uma porfia perigosa e sem limites. Jornalistas defendem o direito de publicar o que dizem ser "chocante realidade de uma cidade entregue à violência", e o perigo da censura que chega aos poucos e adiante, ninguém sabe. Os blogueiros, deflagradores de uma campanha que culminou com o ato da juíza, não se dão por satisfeitos. Consideram que a juíza fez o certo, tirando de cena fotos realmente absurdas. E acho absurdas, mesmo. Violentas, agressivas, nojentas. Agora, daí até a juíza proibir, vai grande distância. Até agora, os jornais têm usado de criatividade para publicar fotos. Imagino que ao longo dos dias, começará a haver uma série de tentativas para perceber o limite, já que não há limite definido, nem pode haver, pois subjetivo o que é violento para um e outro. Acho também que vivendo em uma democracia, compra o jornal quem quer, principalmente, lê o caderno policial quem quer, também. Acho que se há um consenso, entre várias parcelas da sociedade, que são absurdas as tais fotos, só há duas saídas: uma, deixar de comprar os jornais. Outra, agir de maneira conjunta, através dos blogs, cartas, abaixo assinados e outros instrumentos, para convencer os editores que há uma manifestaçao contrária, em número suficientemente preocupante, para a vendagem e leitura dos produtos, que vale a pena considerar. É assim que tem de ser e pronto. Um dia desses, o senador Christovam Buarque disse que o Congresso estava tão ruim, que pensava se não era melhor fechá-lo. Confesso que no primeiro momento, dei-lhe razão, mas em seguida, quase gritei comigo próprio, é uma democracia! Sem Congresso, estamos perdidos! Em nenhum momento podemos abrir mão do Congresso e pronto. Mas procurarei, no âmbito de minhas possibilidades, como cidadão, convencer outros a, no próximo pleito, não reeleger nenhum de seus integrantes pois lá, os poucos bons acabarão pagando pelos muitos maus.
Não, eu não acho que seja através de Censura que a grosseria idiota dos nossos jornais, com seus sanguinolentos cadernos policiais se resolverá. Particularmente, não vejo viabilidade financeira nesse sangue todo. Jornal hoje é um produto da elite, seja financeira ou cultural. Consomem jornal alguns viciados em informação, mais funcionários públicos, agências de propaganda e alguns empresários. Pobre não compra jornal. Assiste televisão. Ouve rádio. E vão me dizer que esse público citado adora matérias pingando sangue? Pobre (desculpem usar a palavra como a designar alguém inferior, mas é meramente uma questao mercadológica) pode até espichar o pescoço para ler os tais cadernos policiais, expostos em bancas ou na calçada, mas comprar, não. Qual a razão, então? Não sei. Alguém comentou, certa vez, que os gazeteiros exigiram isso, pois acham que é fator de venda. Será? Qualquer pesquisa simples tira isso de letra. Agora, desculpem os amigos que pensam diferente, mas censura, não.
Não, eu não acho que seja através de Censura que a grosseria idiota dos nossos jornais, com seus sanguinolentos cadernos policiais se resolverá. Particularmente, não vejo viabilidade financeira nesse sangue todo. Jornal hoje é um produto da elite, seja financeira ou cultural. Consomem jornal alguns viciados em informação, mais funcionários públicos, agências de propaganda e alguns empresários. Pobre não compra jornal. Assiste televisão. Ouve rádio. E vão me dizer que esse público citado adora matérias pingando sangue? Pobre (desculpem usar a palavra como a designar alguém inferior, mas é meramente uma questao mercadológica) pode até espichar o pescoço para ler os tais cadernos policiais, expostos em bancas ou na calçada, mas comprar, não. Qual a razão, então? Não sei. Alguém comentou, certa vez, que os gazeteiros exigiram isso, pois acham que é fator de venda. Será? Qualquer pesquisa simples tira isso de letra. Agora, desculpem os amigos que pensam diferente, mas censura, não.
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