segunda-feira, 26 de julho de 2010

Maninho, mas assim..

E Mano Menezes fez sua primeira convocação. Da seleção antiga, somente quatro, não é? Alguns, não conheço. O problema é muito maior. Como permitir que uma entidade tão problemática, realiza um evento do porte de uma Copa do Mundo? Está bem, não sei como resolver isso. O crime foi muito bem criado e ao longo dos anos, aperfeiçoado. Mas então, como mudar a maneira de jogar futebol? Como voltar ao estilo de jogo que nos consagrou? Como romper essa prisão do futebol resultado, antes não perder, quem sabe empatar, que bom, ganhamos. Mano Menezes, como a maioria dos técnicos brasileiros, é defensivista. Gosta de retranca. Procurem seus números. Como montará essa equipe que convocou? Aproveitará os meninos do Santos, mais Hernanes? Terá zagueiros velozes, que acompanhem a evolução da equipe no campo adversário? Sufocará o outro time em seu próprio campo em marcação pressão? Enfim, jogará como a Espanha? Para isso, muito treino e mudança de mentalidade, o que é bem lento. Se der certo, pode ser que seja obedecido no resto do país. O estilo de jogo que reduz um grande campo a uma quadra de futsal ou basquete. Temos jogadores, temos talento. Teremos guts?

Naquele tempo

Em 1967, eu tinha 13 anos de idade, o que significa, nos dias de hoje, como se tivesse uns oito anos. Mesmo assim, por interferência de meu irmão Edgar e de meus pais, envolto em um ambiente que respirava Cultura, assisti aos programas de tv com os Festivais de Música da Tv Record. Ouvi os discos um sem número de vezes. Agora está sendo lançado um documentário sobre o evento. Saiu no Globo, a matéria. A vitória foi de Edu Lobo, cantando "Ponteio", juntamente com Marília Medalha, Momento Quatro e Quarteto Novo. Dividindo prêmio, Chico Buarque e "Roda Viva", cantada com Mpb4. Caetano Veloso e "Alegria, Alegria", acompanhado por uma banda argentina. Gilberto Gil com "Domingo no Parque", cantado com Mutantes, Rogério Duprat e orquestra e creio, Heraldo do Monte no berimbau. Cara, Edu, Chico, Caetano, Gil. Compreendem o momento mágico? Todas as músicas viraram clássicos. Acho modernas até hoje.

Os fiéis e os infiéis

Assisti a dois filmes que mostram o grau de perplexidade dos americanos em relação ao inferno em que se meteram depois que Bin Laden e seus muslims resolveram mandar ver em uma Jihad contra eles, infiéis. Um se chama, creio "O Terrorista", com Samuel Jackson. Um cara, americano, convertido ao Islã, manda um vídeo dizendo que escondeu três bombas nucleares em três cidades americanas e que ainda iria fazer suas exigências. As bombas explodirão em tres dias. Após isso, postou-se em frente a uma câmera de vigilância de um shopping em LA, creio, onde foi capturado. Para torturá-lo, chamam Jackson. Este, chama uma mulher, do FBI, para fazer a boazinha. Samuel, com aquela pinta de mestre sala de rancho, fantasiado de príncipe etíope, como diria Nelson Rodrigues, bota quente. Corta dedos, queima, faz um inferno, enquanto o tempo passa e o terrorista nada diz. A boazinha e outros que assistem, vão à loucura, cheios de boas intenções, odiando Jackson. Até os filhos do cara, trazem para torturar, até que ele revela o lugar das bombas. Mas não eram tres e sim, quatro. Todos têm ódio de Jackson. A nossa civilização não faz assim! E o cara, na boa, conta que é sua jihad e pronto. Como fazer com um prisioneiro que se fez apanhar e que deixa-se morrer por pura vontade religiosa. Auto determinação.
Mas também não faça como Luc Besson, que dirigiu um tal de From Paris with Love. Me aparece um John Travolta, disfarçando uns 300 quilos, cabeça raspada, espião ou algo que o valha, matando umas 50 pessoas em Paris, desfilando como uma patricinha no Atalaia, seis horas da tarde de sábado. De A a Z, pois começa liquidando pencas de chineses com cocaína, daí envereda pelos muslims, arrebentando uns 300 carros, escapando incólume até o final, onde a espiã mulçumana, descoberta, bomba envolta no corpo, tenta acionar o detonador, sendo morta pelo idiota branco, escada de Travolta, apaixonado. O cara diz não faça isso porque eu te amo. E ela, desculpa aí, foi mal, mas é minha Jihad.. Eles, americanos, estão descontrolados.

O rock dos velhos

Acompanho a carreira do U2 desde o primeiro disco. Percebi quando se tornou um gigante da mídia. O truque nas músicas, começando sempre num crescendo, fazendo com que, no rádio, naturalmente, houvesse um espaço entre seu som e dos demais artistas. A questão religiosa, depois abrindo para o mundo e seus problemas. A tentativa em fazer algo mais dançante e o retorno ao som mais tradicional. Tudo o que a banda faz, é pensado com três, cinco anos à frente. Espetáculos grandiosos, onde as grandes estruturas de cenário, som e luz, precisam ser absurdamente modernas, o circo do rock and roll, compensando o fato de, para a maioria do público, os integrantes parecerem formiguinhas iluminadas, em uma platéia para 60, 80 mil pessoas. E o rock, lembram, precisa de aconchego, suor, calor, rala rala, para maior vibração. O rock é adolescência, hormônios explodindo, agressividade juvenil. Chega a ser espantosa a habilidade de Bono Vox e The Edge em criar melodias baseadas em apenas três ou quatro acordes. O guitarrista é um grande músico, descobrindo novas sonoridades, a partir de poucas notas. De vez em quando correm pelo palco, para dar movimento. Assisti ao DVD com o show 360 graus, que ainda está em cartaz. O disco que gerou já deve ter uns dois anos, acho. Depois do DVD virá o cd ao vivo, penso. E os caras param por um ou dois anos. O tempo passando. Os Rolling Stones, mais uma vez, anunciam a possibilidade de uma turnê de despedida, quase todos com quase 70 anos de idade! A pior coisa que pode acontecer a uma banda de rock é envelhecer.

a falta de comunicação

Quando começa o filme "Estão todos bem", de Kirk Jones, um remake de "Stanno tutti bene", de Giuseppe Tornatore, música de Enio Morricone, pensei que era mais um filme mostrando como desprezamos os mais velhos, fazendo com que eles fiquem sós, não os atendendo quando nos ligam, mas não. Robert de Niro está bem, como sempre, fazendo um viúvo que espera pela visita dos filhos, que nunca aparecem. Assim, decide visitar um por um, para matar as saudades. A cada visita, um susto, a impressão que encenam um bom cenário, para não preocupá-lo. A falta do que dizer, após os cumprimentos de praxe. Falta de assunto. O viúvo era desses pais que trabalham o dia inteiro e à noite, chegam tão cansados que não têm folego para conversar com os filhos. A mãe cuidava de tudo. O personagem de Niro pegou enfisema, pois foi operário de fábrica de fios condutores. Por isso, a cada viagem, por trem, vai olhando os postes e ouvindo uma cacofonia de conversas. Conversas que nunca teve com os filhos. Ao final, Paul McCartney cantando bela canção. Meu pai também trabalhava muito. À noite, quando estava em casa, era na máquina de datilografar, escrevendo para jornal. Aí comecei a ir com ele assistir aos jogos em que ele trabalhava. Ou então para o Lago Azul em uma famosa pelada às noites de quarta. Melhor, deu um click e ele voltou à música. Com isso, rejuvenesceu e tornou-se parceiro dos filhos. Até hoje.
E "Amor sem escalas", que candidatou-se ao Oscar? George Clooney, o bonitão, vive em um mundo artificial, onde não há dúvidas, contas a pagar e melhor, há milhagem. Viaja permanentemente pelos EUA. Mora em hotéis. Conhece com a palma da mão esse mundo. Sem compromissos. Namora, quando as agendas encaixam, com Vera Farmiga, bela atriz, também executiva, vivendo a mesma linha. O problema é que o filme enlouquece, querendo provar que bom, mesmo, é viver casado, nive to five, televisão, bingos e churrasco aos sábados. E quando Clooney sente amor por Vera Farmiga, vai atrás, bate na porta e descobre, grande golpe, que ela é casada e tem filhos. Nele, tinha uma fantasia. Se há uma coisa a destacar é esse momento. Bem feito. De resto, zero. De vez em quando me vou a algum lugar. Há algo interessante nesse mundo de viajantes. Muitas vezes, viajo sozinho. Aeroportos, taxis, hotéis, restaurantes. Gosto de transitar por esses lugares, anonimamente. Uma lembrança forte, quando andava em San Francisco, procurando uma Tower Records. No bolso do paletó, um rádio ligado na 101.3, creio, sei lá. De repente, toca "Like a Rolling Stone", com Bob Dylan e tudo fez sentido. Mas é bom voltar para casa, sem dúvida, embora não goste de "pertencer" a algum lugar. Sou paraense. De Belém. Mas minha cabeça está muito longe daqui.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Muricy não, mas quem, então?

Acho horrível a escolha do técnico Muricy para a seleção brasileira. É claro que todos dirão que não se pode agradar cem por cento. Mas é que, partindo da premisssa da necessidade de uma mudança completa no estilo de jogo da nossa seleção, o que se refletiria no futebol jogado no Brasil, a escolha não poderia ser pior. Rememorando, o futebol defensivo, com cada vez mais zagueiros e cabeças de área, passou a grassar após o fracasso da seleção na Copa de 82, chegando ao auge com Parreira, campeão em 94 e Felipão em 2002. Times defensivos, cheios de cabeças de área, mas com dois fenomenos à frente, Romário e Bebeto, Ronaldo e Rivaldo, decidindo. Ao longo do tempo, os cabeças de área foram aumentando de número e os armadores de estilo clássico, arrumadores de jogo, comandantes em campo, capazes de dribles, lançamentos, passe certo e ritmo de jogo, foram sumindo. Hoje, nossos craques em campo são veteranos, deslocados de sua posição de origem, ou estrangeiros. Querem ver? Petkovic no Flamengo, Conca no Fluminense, Gilberto no Cruzeiro, D'Alessandro no Internacional, esqueci algum? De novo, apenas o paraense Ganso. Pior, hoje, no melhor estilo Joel Santana, as equipes brasileiras armam barricadas à frente da grande área, e dois corredores à frente. Se há um contra ataque, a equipe, do último homem de defesa ao último do ataque, se alonga, ficando um vazio no meio. A galera da defesa, não sai com o time, mantendo pequena distância, um jogador do outro. Ninguém sai. Isso é o contrário do que se pratica, hoje, nos melhores centros. E o Brasil já foi o melhor centro. Lembro de um time da Noruega. O zagueiro despejava na outra área um lançamento onde o atacante, de dois metros, fazia pivô para os companheiros. Eliminavam o meio de campo. Ligação direta como esquema de jogo. Agora pensem se hoje, aqui no nosso Pará, alguma de nossas equipes troca mais de quatro passes consecutivos. O melhor estilo, hoje, é o da campeã do mundo, Espanha. Ouço críticas que pouco chuta, mas o seu melhor é transformação de campos de mais de cem metros em quadras de futebol de salão ou basquete. A lei do impedimento é a mais inteligente do futebol. Faz com que as equipes se amassem em determinado espaço de campo. A Espanha sufoca o adversário em seu campo de jogo. E tudo isso sem fazer faltas. Apenas a aproximação entre seus jogadores. Uma vez recuperada a bola, começa a ciranda de toques, como um time de futebol de salão girando, procurando a brecha, ou no basquete, girando a bola no garrafão. Os zagueiros precisam ser velozes e saber jogar, o que não temos, hoje, no Brasil. Acostumados à filtragem de inúmeros cabeças de área, nossos zagueiros são pernas de pau especialistas em agarra agarra dentro da área.
Eu não quero Muricy na seleção. Ele acabou com o trabalho implantado no São Paulo por Telê Santana. Eu torcia pelo tricolor. Gostava de seu futebol bonito. Muricy acabou com tudo. Não torço mais. Futebol feio, de pontapés, ligação direta, jogadores altos, fortes e ruins de bola. Futebol de resultados. Ele saiu e a equipe não consegue mais jogar bem. Agora no Fluminense. Ou era no Fluminense. Pior é que um mau humor o acompanha e o faz, apesar de ganhar milhões, de saber que se trata de uma profissão em contato diário com o público, imaginar que não deve ser cobrado, arguido e se irritar, distribuindo pontapés. O "professor" Muricy. Que pena a nossa seleção. Imagine o Ganso. Muricy acabou com o futebol do Dagoberto, camisa dez bom de bola, veloz. Hoje, um corredor maluco, que não sabe sua função em campo. Acabou com Richarlyson, que pintou como excelente meio de campo com Hernandes e hoje já está jogando até como zagueiro.
Mas se não for Muricy, quem seria? Mano Menezes, retranqueiro? Luxemburgo, tão enrolado em seus próprios problemas e trapalhadas? Felipão, retranqueiro? Não temos. Nossos técnicos são especialistas em manter seu cargo. Primeiro, não querem perder. Depois, quem sabe, atacar. Melhor é contra atacar, não é? Estão atrasados técnicamente, mas o pior é a falta de ousadia, que sobrou em Dorival Júnior, assim que teve um time que sentiu poder dar respaldo. Antes, foi retranqueiro também. Chamar quem? Cruyff? Guardiola? Imaginem o escandalo que seria. E se Zico fosse chamado? Nunca, porque é adversário de Ricardo Teixeira. Leonardo seria acusado, com razão, de não ter experiencia e repetir Dunga. Viram como fomos empurrando com a barriga essa situação? Todos vendendo jogadores, convocando europeus e imaginando que na hora tudo daria certo. Agora que procuramos jovens e principalmente um treinador, chamam Muricy.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

A Educação péssima no Pará

Acabei de ler em uma coluna do Estadão, uma frase ótima, dizendo "o Brasil ficou em sexto lugar na Copa e todos choraram, mas ficou em octagesimo quinto lugar em Educação, no mundo, e ninguém diz nada". Pior ficamos nós do Pará, em um dos últimos lugares, em relação aos outros Estados. E não dizemos nada. Alguns ficam até indignados, mas o que é feito? Sou apenas um escritor e jornalista e imagino que medidas técnicas se imponham, de maneira a alcançar toda a rede, incluindo professores em qualidade e número, escolas em qualidade e número e sei lá, tantas outras ações. Porque será que, aparentemente, nada é feito? Que aparentemente nada, cara. Estamos em um dos últimos lugares!
Passam as férias na casa de minha namorada, duas crianças. A primeira, de nove anos, morava em Icoaraci e agora está em Benevides. A segunda, já não posso chamar de criança, tem 14 anos e estuda na melhor escola de Abaetetuba. Posso dizer que desprezando pouca coisa, ambos estão no mesmo nível de conhecimento, muito próximo de zero. Não sabem ver as horas. Não sabem os Estados do Brasil. Além de Pedro Álvares Cabral, pouco mais imaginam. Em matemática, pior ainda. Em Português, um escândalo. É na base do "pra mim fazer", "nós ia" entre os mais simples. E ainda contam que as professoras falam assim. Não conseguem reter conhecimento. Estudam, tentando decorar, mas não conseguem. Não conseguem manter a atenção por mais de cinco minutos. Ambos conhecem toda a programação do SBT e Record. E as músicas bregas também. A situação é tão terrível que não sei mais o que dizer. Essa geração já está aí, sem condições de saber mais, de se desenvolver, ser gente, brilhar com seu intelecto. E ninguém faz nada.