quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nem Remo, nem Paysandu

Acabo de ler que Marise Morbach vai dar um tempo até depois das eleições em suas postagens no blog /Norte. Entre outros motivos, o bombardeio agressivo que sofreu por declinar seus candidatos às próximas eleições. Pena. Se há algo que ainda não conseguimos em relação as pessoas que respondem aos nossos posts, é uma postura educada, de todos. Assim como chegam manifestações até contrárias, mas de alto nível, vêm insultos imperdoáveis. Em nosso declínio civilizatório rumo à selva, estamos em uma situação que, se criticamos o Remo, é porque somos torcedores do Paysandu e vice versa. Ninguém quer discutir argumentos. É tudo raso e estúpido.
Se é feita alguma crítica ao PT, a resposta é logo contundente, integrando o crítico a "Eles", os inimigos. A situação inversa também é verdadeira. Mas o certo, mesmo, é que a expressiva maioria de brasileiros não tem nenhuma inclinação ideológica. Nem os partidos têm. Eu não tenho. Já votei em candidatos do PMDB, PSDB e PT. Sim, votei em Lula, na primeira eleição. Fui mais um dos enganados por aquela campanha de Lulinha paz e amor. Serra me pareceu pouco simpático, um tanto raivoso, como esses pais mal humorados e eu achava que o Brasil precisava de alegria, Lula estava há anos na fila, enfim, que decepção. Para mim, total. Acabo de ler Jânio de Freitas, na Folha, comentando sobre o desânimo que se vê em relação ao assunto eleições. Não há nada que seja espontâneo. Nenhuma manifestação. Estava na Banca do Alvino, uma manhã dessas e o carro som se descabelava e nos agredia sonoramente com o jingle de Ana Julia. Todos os que passavam, riam e comentavam "acelera, imagina".. Nunca houve tamanha distância entre a sociedade e os políticos como nesta eleição.
Pois não votarei em Lula. Nunca mais. Ele me enganou. Dentro daquilo que acredito que deva ser um político, homem público, mais ainda, Presidente da República, Lula está completamente errado. Mas tenho medo de José Dirceu. Sem querer dar uma de Regina Duarte", o cara é perigoso. Lembro, uma vez, manhã bem cedo, na Tv Liberal, estávamos na mesma sala, aguardando para dar entrevista. Ele em mil telefonemas, articulando, sempre. Sua história, declarações, como essas que acabam de ser reveladas em O Globo, para uma platéia de sindicalistas. Ele, que o mensalão tirou do lado de Lula, proporcionando que este se tornasse o que é, agora quer voltar por cima. Dilma é um poste eleito por Lula, mas no Poder, significará a volta do PT à Presidência. Lula não é PT. Lula é Lula. Será que darão o golpe no cara, devolvendo o ato? Afinal, Lula, no projeto inicial, reinaria, mas quem governaria seria José Dirceu. É um homem fixado em seu projeto de poder. Que recebe derrotas com um sorriso, cai e se levanta novamente, com mais periculosidade ainda. Sem amor, paixão, emoção, fechado naquilo que deseja. E quando confrontados com fatos, todos se defendem atacando, não sentindo um pingo de constrangimento. Agora, Erenice Guerra, que descobriram ser fábrica de dossiês, é imprensada, vítima de seu próprio produto e demitida, vergonhosamente. Dilma, de quem sempre foi o braço direito, nem tchongas. "Apenas uma ex-assessora". São fatos. Tenho medo. Não gosto de Dilma. De seu olhar, seu jeito de falar e andar. Pode ser coisa de romancista, mas parece ser uma mulher com um oceano de vingança na alma, que às vezes aparece em gotas no seu olhar.
Antes que alguém pergunte sobre Serra, digo que hoje continuo achando a mesma coisa e não duvido das mesmas maracutaias, que nos são tão vergonhosas. Quanto ao que temos no Pará, pior ainda. Já escrevi em outro post. Todos os que nos governaram nos últimos 50 anos não têm o direito de nos pedir votos, uma vez que em todas as pesquisas referentes a Educação, Saneamento, Saúde, várias outras, estamos ou na última ou últimas colocações. Insuportável. Enfim, não sou Remo nem Paysandu em Política, apenas um brasileiro comum, querendo o melhor para todos. Sim, sou capitalista, acredito no lucro, mas não acredito em selvageria, em injustiça para todos. Em quem votar?

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Meu filho casa hoje

Meu filho mais velho casa hoje. Felipe Augusto casa com Ana Paula, logo mais em cerimônia no Crowne Plaza. Espero que sejam felizes. Muito felizes. Creio que somente os pais sabem ou nem conseguem mensurar o tamanho do amor que têm pelos filhos. Basta falar neles para ficar emocionado. Tenho dois. Foram criados na base do diálogo, do argumento, como fizeram outros pais da mesma geração, talvez como uma resposta à Educação mais rígida de nossos pais. Não me arrependo nem um pouco. Somos amigos. Bons amigos. Dividimos música, roupas, futebol, assuntos de trabalho. Apesar de ter chegado às últimas etapas do curso de Psicologia, Felipe vai se formar em Administração com ênfase em Marketing e está comigo na Jovem Pan. Não é chegado em Teatro, como eu, mas gosta de ler, ver filmes, ouvir música, sabendo tocar instrumentos. Talvez tenha custado um tanto a amadurecer, mas eu também custei e agradeço a Deus ter permitido poder gozar da infância e adolescência até onde foi possível. Bastante independente, começou a dirigir logo aos 18 anos, com seus amigos e afazeres pessoais. E me deixava em casa sem dormir direito, preocupado. Ainda deixa. Já é um adulto, mas para mim, uma criança. Um menino. Eu o respeito como adulto, em suas opiniões, mas o observo com amor e carinho. Agora vai se casar com Ana Paula, filha do Boulhosa, que conheci ainda no Colégio Nazaré, uma boa moça, tranquila, de opinião, que também gosta de ouvir música, ler e assistir filmes, odontóloga de profissão. Eles casam hoje e eu fiquei pensativo, observando a passagem do tempo. Por coincidência, esta semana, mexendo em papéis antigos, topei com uma revista local, dessas que duraram dois ou três números, falando do rádio e televisão em Belém. Engraçado, em uma das páginas, não lembro a razão, uma foto de Felipe com pouco mais de 1 ano de idade, tirada pelo amigo Luiz Braga. O tempo passa, não nos damos conta. Ainda é o mesmo filho bonito que tenho e lembro de um sonho que cheguei a transcrever para o papel mas não sei onde botei, onde ele estava em uma situação em que sustentava o peso do mundo e eu chegava próximo ao seu rosto e notava a perfeita tranquilidade em que estava. Sim, eu estou feliz, muito feliz e tranquilo, em paz, porque meu filho é um belo rapaz e eu espero que seja muito feliz com sua Ana Paula. Será que serei avô brevemente?

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Na vera, veríssimo

O grande Luiz Veríssimo já publicou em sua coluna em O Globo, os fartos e costumeiros elogios à Feira Calhorda do Livro em Belém, onde sempre é convidado, bem recebido, paparicado. Veríssimo ficou espantado com o número de visitantes, embora afirme saber que nem todos foram ali movidos pelos livros e sim pelos shows gratuitos de grandes estrelas da mpb. Mas é que sem saber o que realmente acontece, o grande escritor e jornalista colabora para a continuação dessa agressão contínua à Cultura do Pará. Não sei se recebe cachê, acho provável. Mas fica em hotel de alto nível, é paparicado (justamente) pelo público, é levado ao Capone na Estação das Docas onde estraçalha um filhote, por exemplo, retornando à sua base feliz da vida.
Quando Veríssimo elogia a Feira Calhorda, colabora com o nosso fim, ou seja, a propaganda é muito mais forte do que as tímidas manifestações contrárias. E este ano, mercê da inclusão de um stand, a FC (Feira Calhorda) recebeu apoio de O Liberal. Qualquer assessoria de imprensa reúne os recortes dos elogios feitos, erradamente, ou equivocadamente, e comprova que a Feira é ótima. Não é.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Aqui é o fim do mundo

Pego o trecho de Marginália, de Gilberto Gil a cada dia em que leio pesquisas nacionais em que Belém, ou o Pará, sempre figuram nos últimos lugares. Um dos piores em Educação. Uma das piores em Violência e Assassinatos. Belém é uma das cidades que menos é servida por Saneamento, do Brasil. A Saúde no Pará é uma das piores do país. Este é o mesmo Pará em que pululam instituições de ensino superior? Esta é a mesma Belém, o mesmo Pará em que políticos insistem que dobraram, triplicaram o investimento em Segurança? Esta é a mesma cidade em que a construção civil bate recordes em lucros e lançamentos? Esta é a cidade em que a Saúde tem diversos hospitais inaugurados ou sendo inaugurados? Um amigo médico, sábado passado, me contou que estava de plantão no hospital metropolitano. Chega um rapaz com a mão estourada. Sala de cirurgia, rápido. Anestesiou e foi em busca dos instrumentos e demais materiais para a operação. Não havia. Está em falta. O hospital passou para outra administração que demitiu 200 funcionários e reduziu despesas. O que fazer?
Posso fugir do horário político, mas às vezes, as inserções nos pegam desprevenidos. Como aceitar que os governantes dos últimos 50 anos tenham o desplante de vir pedir votos? De elencar realizações em seus governos? Deveriam ter vergonha, fugir, pedir para sair. E quando há debates, são tão amarrados que as respostas beiram o ridículo, mentira sobre mentira. Como aceitar aquelas faces sorridentes, pedindo votos? E que terra tão pródiga é esta, com esses índices devastadoramente baixos, miséria total, ausência de tudo, mas com tanta briga por eleição?
E sim, a culpa é nossa. Nós que por motivos individuais, pequenos ganhos, cargos, favores lícitos ou ilícitos, tomamos partido deste ou daquele, indiferentes à destruição coletiva. A velha história da dualidade, Remo e Paysandu. Se critico o Paysandu é porque sou Remo e vice versa, não dando espaço à verdade, por nenhum interesse nela. Ricos em seus carrões importados, gigantescos, mas que ao saltar na porta de suas mansões ou palácios de cinquenta andares, pisam na lama. Até quando? É uma geração incompetente, a minha. Quanto a mim, fiz as minhas tentativas. Ainda faço. Talvez sejam insuficientes. Talvez seja incompetente, também, mas ao menos reconheço essa possibilidade.
Aproveito para elogiar o artigo que Lúcio Flávio Pinto escreveu em seu Jornal Pessoal desta semana, sobre o Presidente Lula. Assino embaixo.

A vida não vale nada

Meu amigo mora na baixada que fica por trás da Unama da Alcindo Cacela. Eu mesmo costumo passar por ali, driblando o engarrafamento para chegar à Duque de Caxias. Há nas proximidades duas arenas para jogar futebol. Uma, atapetada, onde já joguei diversas vezes. Outra, parede com parede, mais humilde, de terra batida, onde também já joguei, mas que serve mais aos moradores das redondezas, que realizam ali diversos e disputadíssimos campeonatos. Meu amigo, como eu, é louco por futebol. Mais do que eu (grande inveja), joga umas três vezes por semana. E quando não vai jogar, ali naquele horário em que as mulheres estão coladas na novela do Totó, vai dar uma espiada em quem está jogando. Ontem, quinta feira, estava à margem do campinho, assistindo. Do nada, entraram três homens encapuzados. dirigiram-se a um rapaz, também à margem do campo, e sem perguntas ou aviso, sem dar tempo a alguma reação, dispararam uns seis tiros. Saíram como entraram. Um deles ainda retornou e disparou um tiro de misericórdia na cabeça do rapaz, estatelado ao chão.
Meu amigo não conseguiu dormir, claro. A violencia com que seu cotidiano foi atingido rompe todos os tecidos, as áreas de segurança que delimitamos, em nosso íntimo, para nós. É algo inimaginável na cidade grande, na civilização. Algo que assistíamos em filmes de bang bang, os mais violentos, as cenas de execução, porque o que mais temos são tiroteios onde personagens se dão tiros, quinhentos, sem recarregar. Muito diferente da execução.
A velocidade com que retornamos à selva é muito maior do que imaginamos. Não há mais medida. Os bandidos não têm nenhum medo do aparato policial. Não que tenhamos uma patrulha em cada esquina, como uma cidade em estado de sítio, mas é que o criminoso teme a possível aparição da Polícia. Ele normalmente sabe o tamanho do delito que está a cometer. Normalmente. Na Belém de hoje, os assassinos de aluguel, montando motos velozes, cometem seus crimes à luz do dia, ou diante de pessoas, sem nenhuma preocupação com o flagrante. Chegam e saem com a certeza da falta de policiamento. Desapareceu aquele quê de temor pela segurança, acho até que sumiu o respeito pela vida, a responsabilidade por tirar uma vida. Antes, havia ao menos uma tocaia, uma surpresa, a falta de testemunhas. Filigranas, hoje.
As motos substituíram os cavalos. Como eles, as motos sobem calçadas, fazem contra mão, são velozes e entram onde carros não podem. O preço cobrado para tirar a vida de uma pessoa também deve ser aviltante. Ficou comum. Fácil.
Quando assistimos na tv a propaganda política, consideramos um escárnio quando os políticos vêm dizer que entregaram 400 viaturas; fizeram concurso para 2 mil guardas e outros e outros números. Não pode ser verdade. Um dia desses não flagraram um preso fazendo as vezes de escrivão em uma cidade do interior? Onde está essa Polícia? E escrevo isso não em detrimento dos policiais, fardados ou civis que contra tudo e todos se matam para fazer o que podem. Esse delegado Éder Mauro, que escolheu essa vida e procura fazer o melhor. Gente acossada pelo stress mais intenso que é a pressão pela defesa da própria vida, da sociedade, sem nenhum respaldo, muitos terminando por adotar comportamentos também agressivos, guerra na selva, enquanto sabemos que está tudo errado. A Polícia não é a vingadora da sociedade. O policial é um técnico, um profissional, que deverá agir pelos melhores meios para realizar seu trabalho. Acabei tergiversando. A vida não vale nada.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

As Gatosas

Nesta quarta fazemos a estréia de As Gatosas, comédia sobre mulheres com idade em torno dos 50 anos e seus problemas, angústias, alegrias e principalmente, postura nos tempos em que vivemos. Uma mulher de 50 anos, hoje, é completamente diferente de outra, na mesma idade, no final do século passado.
A idéia veio quando minha namorada esteve em uma médica e conversou sobre sintomas de menopausa. Preciso esclarecer, sob pena de sumária execução, que ela ainda não está na faixa dos 50 anos. Mas veio a idéia de escrever algo assim. Decidimos reunir atrizes nessa faixa etária e para fazer o texto, primeiro ouvi-las falar. Por coincidência, li uma crônica que Vera Cascaes escreveu em O Liberal, com o mesmo teor. Leitor de Vera, enviei email, fiz contato e a convidei para participar dos encontros. As demais Gatosas escolhidas foram Sandra Perlin, Olinda Charone e Sonia Alão. Os encontros transformaram-se em alegres e divertidas reuniões e uma Vera que chegou, naturalmente tímida, agora conduzia as conversas. E tão rica a participação de Vera que a convidei para escrever, comigo, o texto. Depois de aceitar, um novo pedido. Ela teria coragem de estar em cena, como uma Gatosa? Ousada como ela só, concordou.
Escrevemos o texto, trocando emails e começamos a fazer leitura de mesa. Vera faz Marina, uma gatosa tipo esotérica, mística, que a cada semana acredita em um guru diferente e canta mantras no jardim. Sandra Perlin faz Beta, fazendeira, gay, animada, charuteira. Olinda Charone faz Bia, alucinada por malhação, dessas que passa o dia naquelas roupas Nike e bike. Sonia Alão faz Pat, uma perua elegantérrima, viciada em tratamentos de beleza. Esses personagens estudaram juntos em um colégio, e ficaram amigas, na adolescência. Agora, alguém teve a idéia de reuni-las novamente. Assim, o encontro.
Posso dizer a vocês que não sou nem tenho vontade de ser um diretor teatral. É uma missão espinhosa, difícil, para quem tem uma cultura teatral vasta, imaginação e inteligência. Não sou essa pessoa. Sou um escritor. Após assistir Cacá Carvalho trabalhar, fiquei ainda mais respeitoso pelo ofício. Mas as circunstâncias do Cuíra me levaram à direção. Componho trilhas sonoras, faço sonoplastia e agora dirijo. Por amor ao Cuíra. Assim, a direção, que começou em "Abraço", devidamente protegido por Zê Charone e Cláudio Barradas. Agora, no meio dessas quatro gatosas, confesso que foi ao mesmo tempo muito gostoso, agradável, mas também muito cansativo. São quatro atrizes de gênio forte, alegres, impetuosas, inteligentes, safas, de raciocínio rápido e eu no meio desse tiroteio. Como em "Abraço", procurei não atrapalhar o trânsito. As meninas cuidam de Vera que, convenhamos, é uma grata surpresa, tão à vontade como se sente.
É uma comédia, mas também convida à reflexão. Homens e mulheres. É a função do teatro. Agora está sendo entregue. Imaginem que estou ensaiando, ao mesmo tempo, outra peça, "Sem dizer adeus", sobre as últimas 72 horas de vida de Magalhães Barata, com Zê Charone e Cláudio Barradas. Uma pedrada. E tudo isso sem tirar férias de meus afazeres. Ao final do dia dá um cansaço bem forte. Não dá para fazer tudo. Preciso voltar a escrever. Talvez em novembro, vamos ver. As Gatosas estréia oficialmente na próxima quarta, 8 de setembro, ficando sempre às quartas, neste mês. Em outubro, aos finais de semana. O espetáculo recebeu os prêmios "Cláudio Barradas", de Artes Cênicas, Secult e também o "Myriam Muniz", da Funarte. Faço um convite a todos.

O fim do Leão Azul?

Não tenho como duvidar do amor que a família Klautau tem pelo Clube do Remo, mercê de inúmeras demonstrações. Mas o que o presidente Amaro fez ao mandar derrubar o escudo do clube, no pórtico do estádio Evandro Almeida é de uma truculência, agressividade, maldade incalculável. Agrediu o clube, a torcida, a cidade, o povo do Pará, mesmo os torcedores de outros clubes, em um sentido muito mais amplo, o da Cultura. E nem quero saber de necessidades de negócio. Um desrespeito sem nome. Pior ainda o que alguns idiotas fizeram, pregando uma bandeira do Paysandu no lugar, certamente obra dos mesmos moleques que se divertem subornando juízes, pagando salários altos de jogadores, menos dando dinheiro para o clube bicolor, no caso, acertar também as suas contas, estando ele também correndo risco de perder sede social e estádio. É bom dizer que do lado do Remo, o cenário ainda é mais desalentador. Não sou contra a venda do estádio, sequer conheço os detalhes do negócio, mas o que me preocupa é desfazer-se de um patrimônio histórico e o dinheiro ser entregue a dirigentes com a mentalidade que fez o clube mergulhar no abismo em que se encontra. Dirigentes como os do Remo, Paysandu e da Federação conseguiram falir um negócio como nenhum outro, movido a paixão, com somas de cinquenta, cem mil reais por semana, ou mais. Dinheiro sem rastro, limpo, para administrar de maneira moderna e nos levar aos pontos mais altos. Não adiantam os exemplos claros de clubes como os da Espanha, endividados, é certo, mas com um potencial pagador imenso, tendo em vista mais de 100 mil associados. E para ficar apenas no Brasil, o Internacional, que veio da Serie B e agora já foi novamente Campeão da Libertadores, com mais de 100 mil associados, em uma reforma excelente, mudança de mentalidade e profissionalismo. Será que esses dirigentes que levaram o futebol paraense à vala, realmente gostam de futebol? A pergunta cabe porque quase todos são homens de sucesso em suas empresas particulares. O que vão buscar no futebol? Cartaz, mídia ou simplesmente o tal dinheiro sem rastro, que escorre por um ralo muito bem escolhido?
E nossa imprensa que apenas assiste, aqui e ali registrando alguma queixa, mas preferindo comentar apenas a parte técnica do jogo, disputado por atletas cada vez mais semi amadores. Abrimos páginas, manchetes, para atletas da Quarta Divisão! E no entanto há salários a pagar, passagens de avião, equipamentos. E menos dinheiro. A imprensa é sócia do negócio futebol paraense. Precisa exigir atenção, sentar para discutir, não em eventos públicos, aos quais, justamente, não comparecem nem principais dirigentes, nem principais jornalistas. Quantos fundos de poço precisamos ultrapassar para dar a volta? Ou não daremos e terminaremos como os maranhenses e amazonenses?