quarta-feira, 9 de junho de 2010

Todos estão surdos

Cacá Carvalho é um grande ator e diretor paraense, com trabalhos aplaudidos no Brasil e resto do mundo. Nunca esqueceu sua terra, onde vem sempre que pode. E veio, há alguns dias, trazendo, com um jovem grupo de atores que dirige através da Casa Laboratório, o espetáculo "O Homem Provisório", baseado em Guimarães Rosa. Estávamos no carro, vindo do aeroporto, quando a repórter ligou e percebeu que além das palavras a respeito do trabalho, Cacá pretendia falar sobre outros assuntos. Agendou outro horário e saiu, em um domingo, capa do caderno "Você", de O Diário do Pará, uma longa entrevista onde criticou indistintamente todas as "figuras" que têm comandado a área cultural do Estado. Não disse nenhuma novidade. Depois de um maluco, tivemos um político que lá entrou somente para poder percorrer o Estado às nossas custas, fazendo campanha para sua eleição. Estamos atrasados, no mínimo, 50 anos. Para recuperar isso, nem sei quanto tempo e dinheiro investido. Voltamos à selva. À insensibilidade total. A voz de Cacá deveria ter peso. Suscitar respostas. Mas não. Nada. No domingo, a Fumbel lançou sua quadra junina. A Secult está calada. Cincinato Jr, artista, luta para obter o dinheiro necessário para pagar compromissos assumidos em Editais. E o silêncio. Ninguém se manifesta. Nem a favor. Vivemos em um deserto de idéias.

Bet. E

Nelson Motta deu a dica e fui atrás de Bet. E, uma cantora, parece, canadense, que também faz carreira em dupla com Stef. Faz algo semelhante a Basia, ou Swingout Sister, privilegiando a bossa nova e o samba leve, com letras em inglês, ou cantadas com forte sotaque. Fica super charmoso. Bet. E canta muito bem. No repertório, em português, "Regra Três", de Toquinho e Vinícius, "Canto de Ossanha", de Baden e Vinícius, "Eu vim da Bahia", de Gilberto Gil, "Eu quero um samba", acho que Janet de Almeida e "Feminina", de Joyce. Há também faixas em francês e alguma coisa no estilo salsa. Tudo muito melódico, bom de ouvir. Procurem.

Opinião não se discute?

Marise Morbach escreveu em seu blog, a partir de uma visita a este blog, que o título "Opinião não se discute", não abria margem a qualquer comentário. Confesso que não havia pensado nisso. O título é uma homenagem a meu pai, que teve, por longos anos, uma coluna de esportes, em jornais, assim chamada. Marise, talvez não se discuta a opinião de quem emitiu, mas nada impede de alguém emitir a sua e ponto final. Será? Enfim, o que eu queria, Marise e demais ilustres visitantes, era debater os posts aqui feitos. Puxa, será que terei de mudar o título do blog?

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Vivas para os cretinos e estúpidos

Foi natural, após montar "Laquê", espetáculo que marcou a chegada do Grupo Cuíra à Rua Riachuelo, onde se estabeleceu em um Teatro, aparecer a vontade de contar a história recente do Pará, de Belém. Como se, após a abertura da Belém Brasília, da chegada da televisão e principalmente a Revolução, tenha sido levantado um muro intransponível. Então veio "Prc5, a Voz que Fala e Canta para a Planície", com os 80 anos da Rádio Clube. Agora, "Sem dizer adeus". Mais adiante, um musical sobre Magalhães Barata.
"Sem dizer adeus" veio após a leitura do livro que Dalila Ohana escreveu para contar o que passou, nas últimas 72 horas de vida do caudilho. Encontrei o livro em um sêbo de Salvador, que me enviou pelo correio. Agora, após conversar com Cacá Carvalho e muitas dúvidas, começamos a leitura de mesa do texto que escrevi, juntando Cláudio Barradas e Zê Charone. Outras grandes figuras locais participarão. Fomos atrás das imagens de Barata. Através do Secretário Cincinato Jr e a diretora do MIS, Paula Macedo, além da colaboração dos funcionários do Museu, que está jogado em salas do Museu de Arte Sacra, com seu material se deteriorando sem estar na temperatura ideal, teremos essas imagens, feitas por Líbero Luxardo e Milton Mendonça, à nossa disposição. Claro, com todas as licenças das partes envolvidas. E para visitar o Memorial Barata? Será responsabilidade da Fumbel? Alguém foi até lá. "Não, eu acho que isso é do Estado, lá do Centur". Não é. Alguém nos consegue outro contato. "Não sei, mas vou pesquisar". O tempo vai passando. Como pode a Prefeitura, através de seu órgão de Cultura, não saber do que se trata? Agora, ligamos e estão sempre "em reunião". No domingo, Praça da República, há o lançamento da quadra junina, por parte da Prefeitura. Ouço o locutor passar a palavra ao titular da Fumbel. Vou até lá e consigo o contato. Ele acha que é de outro órgão, Segep, algo assim. Hoje, segunda, conversamos novamente. Dá-me outro número de telefone, da pessoa desta Segep, informar. Ligo. Pena. O "chapeu do Barata", ele diz, está fechado. Lá, funcionava também uma biblioteca técnica. Estava dando infiltração. Não há nada para ver? Não. Tudo está empacotado. Parado. Pena. Preciso dizer que sempre fui bem atendido, com toda a educação, mas puxa vida, que pena! Outro dia foi aniversário dele. Somente no dia seguinte, algum jornal comentou. O pior é que nos três jornais locais, haveria motivos suficientes para alguma manifestação. E pensar que na metade do século passado o cara mandava em tudo. Hoje, ninguém lembra nada. Passamos na Magalhães Barata sem nos dar conta de onde estamos pisando, passando. Passamos em São Brás e vemos o que alguns chamam de "disco voador". Achamos que o mundo começou com nosso nascimento. Pisamos onde pisamos, é mundo e pronto. Um povo sem Cultura, um povo sem passado, não pode ter presente, nem futuro. E é isso que somos, hoje. Não temos sequer um presente. Voltamos à selva. Vivas para os cretinos e estúpidos.

Uma cantora

Acabei de ouvir o disco novo de Sophie Milman, intitulado Take Love Easy. Mistura jazz e pop, com a mais alta qualidade. Encaixa standards como "Love for Sale", "I'm on Fire" (de Bruce Springsteen), "50 ways to leave your lover" (Paul Simon) e a famosa "Fever". Procurem e ouçam que vale a pena.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Urgente porém sem pressa

Folheei, em casa, o livo com os poemas de Geraldo Alencar, que servem de texto para O Homem Provisório. O que mais me impactou foi "Deus vem vindo, ninguém vê. Igual ele fez o mundo. Urgente, porém sem pressa". Que lindo.
Acabei de ler "Sem deixar vestígios", policial de um autor de sobrenome Doolittle. Bom, simplesmente. Assisti "Vício Frenético", e a sofreguidão que o ator nos passa, não lembro agora seu nome, é parecida com a de um amigo fraterno que tenho, embora este, o amigo, esteja pilhado em comer, sem parar e o outro, o personagem, seja por drogas.

A selva, não a floresta

Encontro João de Jesus Paes Loureiro na Praça da República, esperando o horário de abertura de um banco. Ele procura ver, nas casas restantes, entre o Edifício Selecto e o Banco, o que deveria ter estado ali. Lembro-lhe de um casarão onde funcionava a Tuna Luso Comercial, depois, Brasileira. Havia também, ouvi dizer, outro clube, que realizava festas. Quase na esquina da General Gurjão, os Abud recuperam um belo prédio, de tantas histórias. Atravessando a rua, nos altos, restos de um belo casario. Embaixo, lojas horrorosas. Ao lado do Hotel Grão Pará ficava a casa de meu amigo de infância, Nelson Lima e ao lado, outro amigo, Carlos Tonini. Brincávamos, ali e na Praça da República, esta mesmo que faz cem anos e ninguém nem festeja, sequer lhe cuida. Comentamos a regressão à barbárie e falo do que considero a "volta à floresta". Ele me conserta. "Floresta não, porque é outra coisa, bela, romantica. Volta à selva, que é algo anterior à floresta". Certo. Volta à selva. Pena, não é?