Ainda
na segunda, andando em direção ao trabalho, ouvi trechos de conversa, sempre
bicolores brincando, xingando o outro pela derrota. Normal. Mas dependendo do
ambiente, pode acontecer o pior. Basta uma cabeça quente e a vida se esvai.
Por
outro lado, vendo aquela imensa plateia no estádio, me pergunto como os clubes
não têm departamentos de marketing, que saibam capitalizar todo esse amor em
lucro, proveniente de todos os produtos derivados dos clubes. Li também uma
lista de despesas do Remo, com alugueis de todos as formas, lanche para a
Polícia, um tal de quadro móvel. Nào entendo. O clube aluga o estádio. Então,
dentro dele, por fora, onde quer que seja, tudo o que for vendido, de bebida,
refrigerante, lanche, bandeira, picolé, camisa, o que pintar, precisa retornar
em lucro para aquele que é dono da festa, que pagou para ter o estádio. Uma
imensa máquina de ganhar dinheiro, dinheiro pago com amor ao clube, e
retornando para que este seja poderoso, financeiramente positivo. É esse
amadorismo por parte dos dirigentes que coloca tudo a perder. Quando o Remo
jogou em São Luiz, percebi o estádio vazio, afinal, era um jogo da Terceira
Divisão. Esses atletas, contratados a título de “reforços”, rodam o país, três
meses em cada clube. São perdedores, sem confiança, sem a flama da vitória, sem
compreender o tamanho do amor que a torcida tem. Ficam nervosos, apavorados,
com a multidão, acostumados a estádios frios, vazios, tristes. Aí, o que era
apenas incompetência técnica, vira tremedeira e desastre. Leio que o Paysandu
também anuncia reforços. Que jogadores, a essa altura da temporada, quatro
divisões funcionando, tendo qualidade, não estão empregados, bem empregados em
um clube? Quem virá, então? Perdedores. No futebol, como em quase tudo na vida,
não basta ser apenas profissional. Há de ter flama, gana, vontade de vencer e
sim, ganhar ainda mais ímpeto com o apoio de uma grande torcida. Li que o
plantel do Sampaio Correa consome 150 mil reais por mês, muito menos que o
Remo. Como nossos clubes não conseguem contratar melhor? Circulei pela cidade,
naquele sábado. O número de camisas azulinas eram maravilhoso, a cidade vivendo
seu momento, apaixonada por uma partida da Terceira Divisão! É preciso gente nova
para assumir os clubes. Profissionais de administração. Promover parceria entre
os dois clubes rivais. Rivais apenas no campo, onze de cada lado e juízes.
Fora, são irmãos, parceiros. Deixem para a torcida o urro da vitória, o lamento
pela derrota. Foi um sábado triste para a cidade. Sonhos adiados, mais uma vez?
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