quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
férias
Desculpem a ausência. Passei sete dias entre Sp e RJ, divididos entre algum trabalho para a Editora de meus livros e férias. Encontrei Rita Ferradaes, que agora produz teatro em Sp, feliz da vida. Encontrei Cacá Carvalho e conheci seu lugar de ensaios, da Casa Laboratório de Pontedera. Assisti a uma performance de uma mulher de Cingapura, Kei Pang, talvez, o nome, belíssimo. Depois, comemos no Rubayat. No RJ, estivemos com Ronaldo Fayal, feliz da vida, contratado da Globo, fazendo visagismo da novela Três Irmãs. Jantamos com Kika Rovai e Eunice Baía, a Tainá. Assistimos, por especial deferência de Noêmia, a peça Gloriosa, com Marília Pêra, o maior sucesso de lá, no momento, estreando, também, o Teatro do Fashion Mall, em São Conrado. O texto não é grande coisa, mas assistir Madame Pêra é assistir a um recital. Como é bom estar ali, vendo todo aquele repertório de gestos, postura, voz, encanto, personagem. Agora, na volta, dá uma ressaca, e leva uns dias para voltar a postar. Mesmo assim, diariamente, visito meu blog na esperança de novas visitas. Gostaria que fossem muitas, mas a gente chega lá. Escreverei sobre o Fórum, claro, mas permitam-me mais algum tempo...
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
Vista Cansada
Após escrever sobre a telosfera e a intermediação hoje feita pelas telas, em todos os lugares, lembrei de sua miniaturização e consequente aumento de pixels para possibilitar sua leitura. Tudo isso acontece, esquecendo o que me pareceu, à primeira vista, um descompasso da ciência. A velhice. A porra da velhice. Ou, como meu avô Edgar dizia, "seu colega, a velhice é uma merda". Com a idade chegando, o músculo que movimenta a engrenagem que nos faz enxergar e ler, em todas as distâncias onde podemos humanamente alcançar, vai cansando. A tal síndrome do braço que vai esticando. Usamos óculos. Não é problema para os mais jovens, mas certamente para nós, de meia idade. Hoje sabe-se que crianças têm capacidade muito maior que a nossa geração em apreender, velozmente, em qualquer tela, todas as possibilidades. Assim essa habilidade nos games. Pois a oftalmologia avança tanto e não deixamos de usar óculos. Há lentes de contato, mas experimente deixar de usar um dia e seu músculo, preguiçoso, já não o fará enxergar nada. Pois é, meu filho assistiu, um dia desses, no Discovery Channel, pesquisas sendo feitas com o cérebro. Não enxergamos com os olhos e sim com o cérebro. Os olhos, como disse o filho, são como um câmera que envia mensagens para o cérebro, que as decodifica. Assim, os pesquisadores já começam a saber, ou descobrir, que enxergamos muito mais do que aquilo que os olhos simplesmente dizem ver. O que será? Muito mais. Pensam em colocar nas lentes de contato, opções para assistir filmes, computador, sei lá. Complicado, mas interessante. O que realmente vemos? Isso explica muita coisa, ao mesmo tempo em que abre uma janela infinita. Enxergamos com o cérebro. Ainda pesquisam. Por enquanto vou com minha vista cansada.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
O consumismo é a cleptomania legalizada
Bela frase que li em um artigo de jornal. Sou consumista. Me esbaldo comprando livros e cds. Roupas, também. Não é pecado. O excesso, pode ser doença, claro. Fazer disso uma razão de vida, também. Mas vivemos hoje um ambiente de consumo. Olhe para os lados e há sempre uma oferta, sugerindo uma vida melhor, ou mais condizente com a imagem que você projeta para si. Será que meu prazer se esgota no simples ato de comprar, tirar algo da vitrine, ou da tela da internet, tomar posse daquilo que ali brilhava e agora é meu? Também sou consumidor de impulso. Gosto e nem quero muita conversa. Vou logo pagar. Tem a ver com a minha ansiedade que talvez seja aplacada desta maneira. Mas vejam que hoje, compramos em lojas cada vez mais exclusivas, para não passar pelo "desconforto" de cruzar com alguma pessoa usando a mesma peça. E, no entanto, até mesmo antes da crise, as lojas de luxo já vinham se popularizando. Compramos e agregamos a nós o conceito, o prestígio e exclusividade daquela marca. Filas em Paris para comprar uma bolsa Hermés, no valor de mais de 5 mil reais. Vem a piada dizendo que todas as bolsas do mundo caíram, menos as Hermés e Vuitton. Queremos consumir. Inclusive pessoas, como podemos devorar, agora, esses infelizes do BBB. Queremos tirar o pedaço, olhar o fundilho do fundilho das calcinhas das atrizes, que normalmente já vão sem a calcinha, e nós, talvez, buscando seu âmago, através de suas xoxotas, um olhar ginecológico. Observem que nas fotos, agora, mesmo vestidas de calça comprida, elas estão de pernas abertas, bem abertas, como um convite entre, me conheça por dentro, consuma-me. E as mulheres e as coisas são sempre as mesmas. Um mundo homogêneo. As grandes cadeias de lojas, fast foods, tornando o mundo igual. Desde o aeroporto, avião, táxi, hotel, lojas, tudo igual. Então, para quê viajar? Não é melhor gravar em DVD e assistir em casa? Se há tudo à disposição nas lojas? As mesma lojas, mesma decoração. Entre em uma lanchonete Subway na Brás de Aguiar, ou na Oxfort Street. A mesma coisa. O que falta na globalização é nivelar os povos, pois é uma proposta americana não de globalização, mas de conquista do mundo, onde apenas um lado é contemplado, aquele que paga por produtos americanos. Quando queremos fazer o mesmo, somos impedidos por milhares de leis e decisões. Assim, não há troca. Há diferenças cada vez abismais e tudo o que queremos é que todos tenham direito a tudo o que o mundo moderno oferece. E saímos por aí vestindo marcas que nos agregam valor, dirigindo aquele carro do comercial, enfim, consumindo, predando, tirando da vitrine, da tela. A cleptomania legalizada.
Ler?
Também na Folha de São Paulo, Plínio Fraga escreveu artigo com o título "Não alimente os escritores". Ele estava espantado com os resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em maio do ano passado pelo Instituto Pró Livro. Nela, para começar, 77 milhões de pessoas dizem não gostar de ler. De saída, já somos liquidados. Nós, escritores. Mais ainda, 17% lêem devagar, 11% não têm paciência de ler, 7% não têm concentração e outros 7% não compreendem o que lêem. É o fim do mundo. Arilene, a menina que foi Catiti no segundo filme da índiazinha Tainá, vem algumas vezes por ano, de Abaetetuba, onde mora, para passar uns dias com Zê Charone. Assim, temos alguma convivência. Arilene vai repetir ano. Mesmo passando a manhã em aula, no melhor colégio do lugar, pago pela produção do filme e à tarde, continuando no colégio, voltando para casa somente à noite. Foi visitando sua casa que percebi as disparidades no Brasil em termos de audiência televisiva, influência cultural e estética. A audiência televisiva, no Brasil, é medida em São Paulo, por vários motivos, entre os quais, poderio financeiro, extrato de classes, gente egressa de vários Estados e pulverização de cidades. Mas o Brasil é esse gigante, que não pode ser medido apenas por São Paulo. Diferenças gigantescas. Em Abaetetuba e, imagino, todas as outras cidades, quem tem audiência é SBT e quem sabe, Record. Arilene, quando foi divulgar o filme no programa do Faustão, nunca havia visto mais gordo (certamente) o apresentador. Mas as piadas do Sílvio, as músicas da Calypso, sabe todas. Aqui, tomando contato com a Favorita, em seus últimos capítulos, danou-se a chamar uma das personagens de Tela, ou mais respeitosamente, Dona Tela, como poderia ser Dona Zê, Dona Maria, sacam? Há um imenso mundo de conhecimento que passa ao largo e porisso, a reinvenção desse mundo, leia em A Nova Civilização. Onde quero chegar? Uma coluna de jornal paraense entrevista figuras da sociedade a quem faz várias perguntas, uma delas, o que você está lendo. Impressionante como o resultado é sempre livros de auto ajuda. Aqui e ali, um best seller. O que ler?
Se esta rua fosse minha
Sempre morei no Edifício Renascença. É o terceiro ou quarto prédio da cidade. Hoje bem decadente, é verdade. Atrás fica a Travessa Primeiro de Março, desde o IEP, até o Boulevard, sempre estreita, acompanhando o traçado da Presidente Vargas. Quando me entendi como gente, o melhor da zona do meretrício já havia passado. Mas ainda vi desfiles dos Boêmios da Campina e suas figuras de chapeu branco, paletó vermelho, calças e sapatos brancos, abraçados com suas mulheres ou, como dizia minha mãe, "aquelas mulheres". Uma vez, cheguei a assistir uma briga de faca, que terminou no chão, mas desapartaram antes de algo pior. O prédio onde está o Cuíra, construído em 1905, já foi desde loja de algodão, cabaré, até borracharia. Agora é o Teatro Cuíra. Todo esse rodeio para avisar que a partir deste domingo, 18, iniciamos os trabalhos de 2009 com o projeto Se esta rua fosse minha, que consta de uma feirinha, na Primeiro de Março, lateral do Teatro e dentro, espetáculo infantil, tudo pela manhã. É bom que saibam que é tudo na marra. Na vontade. No compromisso de fazer. As cuíras Oriana Bitar e Patrícia Gondim estão à frente. A primeira, reunindo a galera da feirinha, que aumenta a cada dia. A idéia, ali, é oferecer desde discos em vinil, vestidos, bijús, antiguidades, enfim, um pouco diferente do comércio da Praça da República. Não se quer abafar ninguém. Pelo contrário. Dentro, teatro infantil, iniciando com os Notáveis Clowns. Entre os apoiadores, a Sesan, que enviou fiscais para convencer síndicos e moradores de rua a não espalhar e sim dividir o lixo corretamente e outros detalhes. Uma lavagem geral será feita com a Sesan e a galera, em regime de mutirão, neste sábado, cinco da tarde. E há muito o que lavar. Desde que estouraram uma fábrica de drogas no meio do quarteirão da Riachuelo e fecharam uma casa, um grupo de dez a quinze vadios decidiu viver ao ar livre, na esquina do Cuíra, emporcalhando tudo com sua presença, incomodando moradores, realizando pequenos furtos e tráfico de crack. Nada é feito. Mas vamos limpar. Isso quer dizer que nós, do Cuíra, fazemos nossa parte. Matamos a cobra e mostramos o pau. Nossa área é Teatro, Artes Cênicas, Literatura, Cinema, enfim, Cultura. Achamos, todos, que a saída é Cultura, Cultura, Cultura. Até lá, prosseguimos reféns. Mas vai ser, creio, o embrião de algo bem maior, bonito e duradouro. É uma idéia minha, da qual tenho orgulho, totalmente abraçada por Oriana, Patrícia, Zê e a galera que estará lá, aguardando por visitas.
Só quer aparecer
Leio em uma matéria sobre a estréia do novo espetáculo de Marília Pêra e encontro a inimaginável Susana Vieira pedindo ao inimaginável autor de novelas Aguinaldo Silva, ser escalada para seu próximo trabalho. Nada de minissérie, disse a atriz. Quer novela, porque assim aparecerá todos os dias e precisa disso. Não esqueçamos que a figura em questão acaba de passar por um impacto fortíssimo em sua vida pessoal, por conta do gogoboy com o qual se casou. Susana quer aparecer. É dessas atrizes que nunca subiu ao palco. Sempre na tv, trabalho industrial, sem nenhuma nuance, nada, sempre a mesma pessoa, ela, claro. Minha namorada comenta sobre Tony Ramos no programa de Ana Maria Braga, mostrando-se, mais uma vez, pessoa íntegra que é. Tony quase não faz Teatro, mas quando o fêz, ganhou todos os prêmios. Atualmente está em cartaz ao lado de Glória Pires, em vários cinemas. Sucesso. Não consigo imaginar um par mais sem graça do que Tony Ramos e Glória Pires. E no entanto, são adorados pelo público da tv. São parte da família, digamos, de cada um. Nada se espera deles, como de Susana, a não ser o de sempre. Lembro de Tony fazendo um grego ridículo e no entanto, vida que segue. Fizeram suas escolhas, tudo bem. Mas isso me leva a pensar sobre um artigo que Robert Solé escreveu na Folha de São Paulo, alguns dias atrás, com o título "Tela Legal". Citou os irmãos Lumiére, que criaram essa tela brilhante e agora tudo está mudado. Antes, lembrem, para retratar pessoas, somente desenho ou pintura. Agora, podemos nos ver, em um filme. Podemos nos perceber em 3D como somos, o espaço que ocupamos, de outro ponto de vista. Já escrevi sobre isso. Como você se vê? Saiu um livro, ainda não publicado no Brasil, chamado Tela Global, escrito pelo filósofo Gilles Lipovetsky e o especialista em cinema Jean Serroy. Vão desde os Lumiére, cinema mudo, falado, tecnicolor e hoje, a eletrônica. A Nouvelle Vague na França, Free Cinema na Inglaterra e a indústria de Hollywood. O que temos agora? Pixels. A tela foi diminuindo. Como o rádio, que no começo precisou atingir milhões de pessoas de uma vez para ser viável, mas com o tempo, pode ser individual, a tela, também passou por isso. A Telosfera, digamos. A tela foi diminuindo, diminuindo, até ficar portátil. Hoje, tudo é tela. Elas nos acompanham desde antes de vir à luz, nas telas dos aparelhos de ultrassonografia. A tela transformou-se em intermediária entre nós e o mundo. Sabe essas lojas de equipamentos eletrônicos que deixam, na vitrine, uma tela e uma filmadora, de maneira a jogar ali a imagem de quem passa? A documentar nossa passagem. Documentar nossa existência. A garotada, hoje, fotografando sem parar, em seus celulares, enviando para Orkut. É preciso fotografar, filmar, para comprovar o que se vive no momento. E somos documentados. Milhares de câmeras de segurança estão nas ruas documentando, comprovando nossa existência. Lembram dos museus, onde, nas paredes, dormem, ou vivem, dependendo do ponto de vista, belíssimos quadros? E hoje, nos grandes magazines, quando passamos na área de venda de tv e vemos diversos quadros, móveis, aparelhos ligados em diversos canais. São os novos quadros? Ou seriam os quadros equações de números complexos, chamadas de fractais, mostrando-se em resolução permanente, criando imagens lindas? E quem somos nós, para as telas? Somos nós mesmos ou um sósia, nem isso, um outro, que criamos, e que passa as noites teclando com outros "outros", idealizados para gerar conversas, onde dizemos de tudo, protegidos por essa identidade falsa e mais do que tudo, por essa intermediária, a tela. Assim, protegemos nosso eu mais profundo? OU revelamos esse eu mais profundo? Susana Vieira é mais radical. Ela é dependente do brilho da tela, porque pretende iluminar, com sua figura, nossas vidas. Porque não vive sem isso. As entrevistas, escândalos. Na sua idade, mais de 60 anos, sem nenhuma condição física, submete-se ao ridículo de sair como madrinha ou vedete ou o que o valha em desfile de Escolas de Sambas, que mais adiante, outro dia, escreverei.
A Luta
Acabo de ler a crônica semanal que Cora Rónai escreve em O Globo. Ela escreveu sobre a guerra que no momento está no noticiário, no Oriente Médio. Cora é judia, mas antes de tudo, mulher inteligente, com opiniões consistentes, comprovadas em milhares de textos e posições assumidas. Digo isso porque ela defende uma posição em favor de Israel e no momento, o que mais lemos nos jornais e internet são textos com opiniões diametralmente opostas. Digo isso porque, por coincidência, desde o ano passado, fui convidado para escrever um conto em uma coletânea chamada "Todas as Guerras", que deve sair pela Editora Bertrand. Como todo brasileiro, fui deixando o prazo decorrer e somente no meio de novembro, comecei a pesquisar sobre o assunto, o que incluiu um amigo que mora em Tel Aviv, que em um contato telefônico, dizia não entender como aquilo acontecia, uma vez que na capital e em Jerusalém, árabes e israelenses se dão bem e ele, inclusive, tem vários clientes árabes. Disse que é coisa de fanáticos, radicais, malucos, explodir bombas e tal. Anotei. Estou esquecendo de Cora? Vou continuar e já volto. Nem a pesquisa me deixou com qualquer especialidade sobre o conflito. Há leituras políticas, históricas, econômicas, enfim. Mexer em uma pedra naquele tabuleiro é mexer em casa de caba.
Jerusalém enfrentou milhares de guerras. Os turcos, por último, ali no começo do século passado, a entregaram aos ingleses, em esquema que envolveu até o Lawrence da Arábia, lembram? Pois ali, enquanto passou o tempo, Segunda Guerra e o Estado de Israel foi criado, também foi gestado no Egito, creio, o ovo da Al Quaeda, o processo de reação contra a ocidentalização no Oriente Médio, juntamente com o domínio do povo, através de interpretação equivocada do Alcorão. Hoje, Jerusalém é dividida em quatro partes. Judeus, árabes israelenses, católicos e armênios. Pois é. Cada um desses povos tem motivos para considerar Jerusalém sua cidade mais importante. E agora? Os palestinos se declaram ocupados por Israel. E são. E Israel diz que tem o direito de existir, pois seu povo também rodava por lá desde os tempos idos. Há uma sugestão para uma confederação de dois, um Estado dentro do outro, convivendo e resolvendo suas pendengas. Mas creio que isso não interessa a outras figuras que lucram muito com a guerra. Quando os palestinos partiram ao meio políticamente, os israelenses apoiaram Abbas, que é do Fatah e com ele conseguiram uma trégua. O Hamas correu e ocupou a faixa de Gaza, onde mora um povo miserável, ignorante, revoltado, ingredientes perfeitos. Sem se importar com a trégua, diariamente, o Hamas continuou disparando foguetes contra Israel. A trégua estava chegando ao fim, quando comecei a escrever o conto, a partir de dois paraenses, que por diferentes motivos vão bater em Jerusalém, nos dias de dezembro. Israel avisou várias vezes e agora botou quente. Será porque haverá eleições em 10 de fevereiro e o Likud (de direita), poderia ganhar e é preciso mostrar força? Haverá, também, eleições no Egito, Líbano, ih, é tanta confusão.
Aprendi quando comecei a estudar Teatro, que há uma tragédia quando os dois lados têm razão. É isso. Assim, lemos as mais estapafúrdias opiniões. Bem, alguém deve estar achando isso da minha. Volto à Cora Rónai. Ela diz que enquanto os foguetes caíram, diariamente, no lado de Israel, com sirenes apitando e crianças correndo para o subsolo, nada saiu na imprensa, como de resto, nada sai sobre as mortes no Sudão, Tibet e outros. Mas que, quando a bomba cai no lado palestino, e vêm crianças e homens (todos vestidos naqueles uniformes Adidas) com baladeiras, gritando, reclamando, vão para as primeiras páginas dos jornais do mundo. Israel vira, então, o grande vilão. Não é bem assim. Não sou judeu, nem mulçumano e deploro todos os atos de violência, de parte a parte, mas não é bem assim. E aí, Cora chega ao detalhe mais inteligente, e que nos cabe, nesse momento de enfrentamento que vivemos, nós, da classe média. Cora diz que os israelenses são a classe média e seus vizinhos, todos em estágio de desenvolvimento cultural e econômico bem menor, formam a classe baixa. Assim, somos atacados diariamente por palestinos e não dizemos nada. Quando tomamos alguma iniciativa, somos criticados. E onde está a culpa? A deles, lá no Oriente Médio, é uma. A nossa, incompetência. Nossa e dos políticos que elegemos. Formamos uma elite de merda. Viajamos tanto e não trazemos nada de bom. Votamos segundo interesses, picuinhas e depois queremos cobrar. O quadro político não está deteriorado desde hoje, quando não temos em quem votar. Mas é verdade que exacerbou desde o governo Jatene, quando todos os órgãos foram loteados conforme acordos políticos e ocupados por amadores, com outras preocupações e não cuidar do povo. Assim, hoje, com o PT que, pior, em sua própria configuração é uma frente política, estão todos em seus postos, imóveis. E dizem, acho provável, que nada acontece na área de Segurança, meramente por problemas internos, uma vez que a falta da segurança, proporciona grandes lucros a empresários do setor. Hum. Agora está aí a Guarda Nacional com carros, uniformes e armas novas e bonitas. Páram nas esquinas e ficam fazendo pose. O dia inteiro. As armas devem pesar. O que mais a Guarda fará?
Jerusalém enfrentou milhares de guerras. Os turcos, por último, ali no começo do século passado, a entregaram aos ingleses, em esquema que envolveu até o Lawrence da Arábia, lembram? Pois ali, enquanto passou o tempo, Segunda Guerra e o Estado de Israel foi criado, também foi gestado no Egito, creio, o ovo da Al Quaeda, o processo de reação contra a ocidentalização no Oriente Médio, juntamente com o domínio do povo, através de interpretação equivocada do Alcorão. Hoje, Jerusalém é dividida em quatro partes. Judeus, árabes israelenses, católicos e armênios. Pois é. Cada um desses povos tem motivos para considerar Jerusalém sua cidade mais importante. E agora? Os palestinos se declaram ocupados por Israel. E são. E Israel diz que tem o direito de existir, pois seu povo também rodava por lá desde os tempos idos. Há uma sugestão para uma confederação de dois, um Estado dentro do outro, convivendo e resolvendo suas pendengas. Mas creio que isso não interessa a outras figuras que lucram muito com a guerra. Quando os palestinos partiram ao meio políticamente, os israelenses apoiaram Abbas, que é do Fatah e com ele conseguiram uma trégua. O Hamas correu e ocupou a faixa de Gaza, onde mora um povo miserável, ignorante, revoltado, ingredientes perfeitos. Sem se importar com a trégua, diariamente, o Hamas continuou disparando foguetes contra Israel. A trégua estava chegando ao fim, quando comecei a escrever o conto, a partir de dois paraenses, que por diferentes motivos vão bater em Jerusalém, nos dias de dezembro. Israel avisou várias vezes e agora botou quente. Será porque haverá eleições em 10 de fevereiro e o Likud (de direita), poderia ganhar e é preciso mostrar força? Haverá, também, eleições no Egito, Líbano, ih, é tanta confusão.
Aprendi quando comecei a estudar Teatro, que há uma tragédia quando os dois lados têm razão. É isso. Assim, lemos as mais estapafúrdias opiniões. Bem, alguém deve estar achando isso da minha. Volto à Cora Rónai. Ela diz que enquanto os foguetes caíram, diariamente, no lado de Israel, com sirenes apitando e crianças correndo para o subsolo, nada saiu na imprensa, como de resto, nada sai sobre as mortes no Sudão, Tibet e outros. Mas que, quando a bomba cai no lado palestino, e vêm crianças e homens (todos vestidos naqueles uniformes Adidas) com baladeiras, gritando, reclamando, vão para as primeiras páginas dos jornais do mundo. Israel vira, então, o grande vilão. Não é bem assim. Não sou judeu, nem mulçumano e deploro todos os atos de violência, de parte a parte, mas não é bem assim. E aí, Cora chega ao detalhe mais inteligente, e que nos cabe, nesse momento de enfrentamento que vivemos, nós, da classe média. Cora diz que os israelenses são a classe média e seus vizinhos, todos em estágio de desenvolvimento cultural e econômico bem menor, formam a classe baixa. Assim, somos atacados diariamente por palestinos e não dizemos nada. Quando tomamos alguma iniciativa, somos criticados. E onde está a culpa? A deles, lá no Oriente Médio, é uma. A nossa, incompetência. Nossa e dos políticos que elegemos. Formamos uma elite de merda. Viajamos tanto e não trazemos nada de bom. Votamos segundo interesses, picuinhas e depois queremos cobrar. O quadro político não está deteriorado desde hoje, quando não temos em quem votar. Mas é verdade que exacerbou desde o governo Jatene, quando todos os órgãos foram loteados conforme acordos políticos e ocupados por amadores, com outras preocupações e não cuidar do povo. Assim, hoje, com o PT que, pior, em sua própria configuração é uma frente política, estão todos em seus postos, imóveis. E dizem, acho provável, que nada acontece na área de Segurança, meramente por problemas internos, uma vez que a falta da segurança, proporciona grandes lucros a empresários do setor. Hum. Agora está aí a Guarda Nacional com carros, uniformes e armas novas e bonitas. Páram nas esquinas e ficam fazendo pose. O dia inteiro. As armas devem pesar. O que mais a Guarda fará?
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