quinta-feira, 17 de março de 2011
O centro avante de botão
Poucos sabem, mas fui um grande jogador de botão. Não o celotex, com aqueles botões grandes, cada um jogando uma vez, com juízes, federação e tudo. Meus botões eram daqueles vendidos em loja, de plástico, que vinham ou com a fotografia pequena de cada jogador ou o escudo do time. Lá em casa, quem trouxe a novidade foi o Edgar Augusto. Não sei de onde trouxe. Já comprava a Revista do Esporte, que auxiliava, com fotografias, o reconhecimento dos jogadores que disputavam o campeonato carioca, que nos interessava, completando a informação diária da Rádio Clube do Pará. O jogo vendido nas lojas trazia, além dos dez botões, um goleiro, que contava com uma espécie de cabo de metal que imagino, servia para mover na direção da bola chutada. Bem, não era bola e sim um disco plástico, como também eram as traves e as redes. Lá em casa, não. Pra começar, decidimos usar caixas de fósforos como goleiros. Depois, nossa mãe ajudou a confeccionar traves de arame com redes de filó e o toque final, bolas de lã, cuidadosamente preparadas. Mais emocionante, lá em casa, era na base do bate leva, ou seja, a jogada seguia até que a bola tocasse no botão adversário ou se errasse a bola, para nós, um absurdo. Devo confessar que não estava bem preparado para meu primeiro jogo. Sem ainda me dar conta da cerimônia e circunstância de um jogo de campeonato, escandalizei meu irmão com uma equipe que contava com umas duas tampas de remédio, uma delas, Lilly, que chamei de jogador. Bom, o goleiro era Simbad (o marujo) e um dos laterais era Vlamir, em homenagem ao fabuloso armador da seleção brasileira de basquete da época. Chamado às falas, banimento, reunião do STJD, enfim, voltei atrás. Jogávamos basicamente o campeonato carioca. Nossas equipes preferidas, Flamengo e Botafogo, naturalmente, eram as favoritas. Mas havia desde Campo Grande, Canto do Rio, Madureira, Olaria, São Cristóvão e América, além de Vasco da Gama e Fluminense. Todos com suas escalações e alguns reservas. Nosso campo de jogo era uma mesa de fórmica, a qual foi devidamente demarcada. Os times jogavam com uma formação quase estática de dois, três, um, quatro, mas posso garantir que havia muita emoção e habilidade na condução das jogadas. Dribles, passes, lançamentos, chutes e gol e faltas bem cobradas. Creio que o Edgar era quem mais sentia as derrotas. Costumava jogar um por um dos atletas/botões na parede, como punição. Se o goleiro frangava, era esmigalhado.. Os jogos contavam com narração, claro, feita pelo Edgar, eu fazendo o ponta de gol. Puxa, como era bom! Uma brincadeira que depois virou séria. Meu irmão foi trabalhar narrando jogos de verdade e eu saí à procura de parceiros, encontrando minha turma de colégio. Rápido, decidimos fazer um torneio. Claro que desde o regulamento, houve discussões dignas não de um Conselho de Segurança da ONU, mas de moleques de esquina. Enfim, chegamos à uma decisão e os jogos foram marcados. A primeira rodada no estádio da casa de Abílio Cruz, meu saudoso amigo, que competia com seu Botafogo. Eu levei meu Flamengo. Haveria um rodízio de juízes. Enquanto dois jogavam, um apitava e o restante ficaria no quintal, jogando futebol. E vem aquele competidor e começa a alinhar os jogadores em campo. Anuncia que é a equipe do Clube do Remo. Os botões têm a fotografia da equipe azulina da época. Pronto, estão as duas equipes preparadas para iniciar. Não. Temos um problema. Precisamos reunir para decidir uma grave questão. Aquele competidor escalou um jogador inexistente na equipe azulina. Ele argumenta que aquele é o seu Remo e não o do futebol. Houston, we have a problem. Mas afinal, que jogador é esse? De centro avante, nada mais, nada menos que o hoje célebre Dr. Sérgio Zumero, o qual, continuou argumentando sem parar, em discussão cada vez mais acalorada, onde gritava “o que é que tem eu jogar de centro avante do Remo no meu time de botão?”....
quarta-feira, 9 de março de 2011
De Paris
É simples mas emocionante sair do centro de Londres, via Eurostar, mergulhar no canal da Mancha e chegar ao centro de Paris em duas horas, se tanto, mais específicamente na Gare Du Nord. Há uma mudança imediata. Uma semelhança com algumas cidades brasileiras. Já vemos alguma sujeira aqui e ali. O povo gesticula. Peça Pardon para pedir licença. Primeiro encontramos Tê, há alguns anos por lá, casada com um francês que trabalha para a comunidade européia. Fomos jantar em sua casa, em Poutoux, espécie de cidade satélite, Wall Street de Paris, com imensos edifícios e cenários modernos. E tanto em Londres quanto em Paris há poucos prédios. É proibido derrubar as casas antigas. Quer construir prédios, vá para longe. Parece Belém. Depois encontramos Sidney, ex-bailarino, ex-Experiência, que se formou em Francês e Turismo. É a cara do Lázaro Ramos. Grande figura. Finalmente Mari Noelle, que muitos davam como falecida. Espera mais dois anos pela aposentadoria e volta para o Brasil. Também fez Experiência e é francesa, oui. Com eles rodamos Paris em táxi, ônibus e metrô. Montmarte, Igreja de Sacre Coeur, Champs Elysées, Arco do Triunfo, Bastilha, Tulleries, Centro George Pompidou, Torre Eiffel. Que cidade linda, quarteirões enormes, que se perdem na vista. Aquele carrinho Smart é o fusca da cidade. O detalhe final: Mari Noelle chamou seu primo Jacques e ele trouxe sua van, com a qual circulamos um dia inteiro. Fomos almoçar na Bastilha. E depois, aeroporto. Não. A Polícia levou a van por estacionamento em local proibido. Com todas as malas. E agora? Fomos de metrô para o aeroporto. Jacques foi recuperar a van. E se fosse como aqui, tipo "agora só amanhã para retirar o carro. E ainda tem de pagar no banco a multa, reconhecer assinatura", essas coisas. Deu certo. A estação do Charles De Gaulle de onde saem os aviões da Tam é horrorosa e pobre. Eram três vôos saindo, um para o RJ e dois para SP. Em um deles, Ricardo Teixeira, o triliardário presidente da CBF. E está faltando um passageiro. Do guichê, chamam em francês um tal Monsieur Macumba! Ele aparece, neguinho serelepe, atrasado, mas embarca. Ah, Paris!
De Londres
"Viajar é mais", diz a letra de "Manoel, o Audaz". Tenho ido sempre a Londres. Me sinto bem. Só não digo que "parece que vivi ali em outros dias", porque certamente não diria o mesmo de Picos, Piauí, se me entendem. Nunca ninguém viveu outras vidas em Picos.. A primeira constatação é da falência do aeroporto de Guarulhos, SP. Está completamente superado, sem espaços, serviços, uma porcaria. A segunda, se me permitem, é que só vai para Londres quem é muito especial. Deixo que a maioria vá a New York, Miami, Paris. Reparo nos companheiros de viagem. Quem vai a Londres é very special. Chegamos e um brasileiro nos acolhe em sua van. Mora há alguns anos, reside com outros brasileiros, namora uma brasileira. Diz que o bom de Londres é que um motorista é tão importante quanto um médico. Não há diferença de tratamento. Ele está errado. Há resquícios de nobreza, algum preconceito contra estrangeiros, que lá costumam pegar apenas o serviço pesado. Eles, ingleses, não. Penso que ele está feliz em seu discreto cotidiano e que em seu lugar, já teria feito outras coisas. Não sei a razão mas Londres pareceu lotada de turistas. Há serviços aqui e ali por conta das Olimpíadas em 2012, creio. E brasileiros. E portugueses. No St Giles, Luciana nos atendeu. No Garfunkel's Olga é portuguesa. Está sempre entre 3 e 5 graus, o que é uma delícia para quem sai do nosso forno constante. Minha amiga Silvana nos leva para dar uma volta na Abbey Road. Wlad e Olinda lagrimam ao entrar no The Globe, o mítico teatro de Shakespeare. E em uma terça feira, assistimos no Victoria Theatre, "Billy Elliott", quase lotado. O que chega a espantar é o envolvimento do povo com a Cultura. Há raríssimos outdoors, mas há propaganda em ônibus, metrô e totens. Em 90%, a propaganda de filmes, livros e teatro. Esses informes estão o tempo todo sendo esfregados em nossas mentes. A cidade toma conhecimento. Há uma incitação ao consumo de Cultura. E os teatros lotados. Em Paris, a mesma coisa. A Oxford Street é uma babel. Assisto na tv uma mesa redonda sobre o fim dos jornais impressos. Presentes, todos os editores de Londres, mais um cara do Google. Depois comento. Saudades.
A defesa do Barcelona
Aos que gostam de futebol. Um grande jogo entre Barcelona e Arsenal, na terça feira gorda. Como enfrentar a equipe espanhola? O Arsenal preferiu o contra ataque, talvez querendo repetir o que a Inter fez na temporada passada, creio, humilhando-se ao manter em sua grande área quase todo o time, terminando por obter o escore necessário. Isso foi muito chato de assistir, pois o time de Arsene Wenger era tido como o único capaz de enfrentar de igual para igual o Barcelona. O Arsenal também é formado por jovens atletas e seu esquema de jogo procura deter em seu poder, no maior tempo possível, a bola, ou seja, rodando, invertendo o jogo, até que surja a jogada de velocidade e conclusão. No campeonato inglês é assim, até mais rápido que a decisão do Barcelona, que costuma durar mais tempo. Se o Arsenal jogasse como sempre, teríamos uma partida épica, em que dois grandes esquadrões se esmagariam ali na metade do campo, em passes, inversões, ações de pura habilidade. Mas não. Wenger jogou na defesa. No jogo anterior, contou com o ponta Walcott, veloz, para o contra ataque. Dessa vez, não. E então o Barcelona desenvolveu seu jogo, esmagando osso por osso o grupo adversário, que vai recuando pouco a pouco até aquartelar-se dentro de sua área. Os laterais ficam bem abertos, como pontos, na intermediária adversária. Na metade do círculo central, campo do Arsenal, o cabeça de área e dois zagueiros, também participando da troca de passes. O Barcelona tem a volúpia do passe. A sabedoria do passe. A bola corre, impossível acompanhar. E seus craques, Iniesta, Xavi e principalmente Messi, brilham. Os jogadores do Arsenal, mais que tudo, estavam nervosos. Não conseguiam trocar passes. A bola foi sempre retomada, tanto que em toda a partida, deve ter havido um ou dois chutes que passaram perto do goleiro Valdez. O gol marcado foi contra, em escanteio. E se é tão fabuloso o Barcelona em seu ataque, eu diria que também é fabuloso em se defender. Para um esquema tão ousado, que joga no campo adversário no limite do passe, no limite do risco, é preciso ter muito preparo físico. Mais do que tudo, uma noção perfeita de equipe, onde cada um sabe sua função mas está disposto a exercer a do companheiro para sanar alguma dificuldade. Em toda a partida, creio, houve um erro sério, do lateral brasileiro Adriano, mas que não resultou em nada. A consciência do passe curto. A sabedoria do mínimo espaço entre os atletas faz com que corram menos e também recuperem a bola. A idéia de jogar futebol e retomar a bola sem fazer faltas. Os ingleses simplesmente não conseguiam trocar passes, a bola sendo retomada ainda em seu campo de defesa, em um torniquete implacável. Transformam um grande campo de futebol em uma quadra de salão. Em um garrafão de basquete, onde circulam a bola e fazem infiltrações, pivôs, enfim, grande repertório. Nenhuma outra equipe no mundo tem uma performance como esta do Barcelona. Nenhuma. Como ataca e como se defende o Barcelona! Vemos as jogadas e repetimos para nós mesmos: é isso! é isso!
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Cadê o "s"?
Sei perfeitamente que a Língua é um organismo vivo e que acompanha os corcoveios do desenvolvimento da sociedade em seus diversos níveis. Acho encantadora a forma com que os jovens usam a escrita em chats, desde que não errem nas concordâncias e que nas mudanças e resumos se mostrem criativos. Mas ultimamente tenho estado incomodado, mais do que isso, insuportavelmente incomodado com o Português falado em Belém, nas mais diversas faixas sócio econômicas. Um dialeto, que vinha há vários anos se desenvolvendo a partir das classes menos atingidas pela Educação se espalhou, como era de se esperar e hoje está insuportável. Pra mim ir, pra ti fazer e coisas assim ficaram triviais em qualquer Doutor da Universidade. E o "s"? Há vários anos atrás, éramos conhecidos por ser um povo que falava bem o Português, diferentemente do gaúcho, por exemplo, que usa o "tu", mas conjuga como você. Cadê o "s"? As coisa. Os perfume. Os time. Os problema. Todo mundo parece falar assim. E se começamos a corrigir, parecemos errados, ou defensores de algo antigo, que não se usa mais. O ex-presidente era o maior garoto propaganda desse dialeto.
Pensei nisso e pensei também no enfrentamento de uma sala de aula, professor x aluno. Estou assistindo a quarta temporada da série "The Wire", passada em Baltimore, mostrando o início do ano letivo. Meu filho, que estudou por 1 ano em El Paso, Texas, fronteira com México também me garantiu que nos EUA o sistema está falido. Professores fazem que ensinam e alunos nem fingem que aprendem. Há um outro mundo aqui fora. Uma outra linguagem. Como pode um professor enfrentar alunos sem armas dignas? Não é preciso ser classe média para chegar a um computador. Em uma cidade como Belém, há lan houses e o mais incrível, uma maneira absolutamente criativa de encarar a modernidade. O inglês, os gadgets tecnológicos chegam e sua utilização, sem que ninguém entenda inglês ou os detalhes técnicos de cada aparelho, é desenvolvida. E o professor ali, com um quadro negro atrás de si, ensinando Matemática. Mas em casa ligam a tv e ouvem, se não é um Português com um sotaque paraense, ao menos é falado corretamente e isso não se impõe. Pais e filhos falam o dialeto. Leio em um blog do primeiro dia de aula, na Universidade, turma de Ciência Política e me pergunto que tipo de retorno haverá. Sure, os alunos estão ali com algum nível de entendimento e interesse, penso. Mas haverá neles algum discurso? Ouço jovens e cada vez mais me desespero. Essa geração atual parece gostar mais de bater palmas, estar na platéia do que no palco, protagonizando os acontecimentos. O que um professor de Ciência Política fará para alcançar o interesse? E a turma de alguma maneira animará esse professor? Ensinei por alguns poucos anos na Ufpa, Curso de Jornalismo e Propaganda. Um dos motivos para deixar o Magistério foi porque um dia, voltado ao quadro negro, ensinando como fazer um jingle publicitário, virei-me para os alunos e percebi, de alguma maneira, estar mais animado, mais envolvido do que eles. E me perguntei o que fazia ali, nove horas da noite, após um dia inteiro de trabalho, ensinando, empolgado, para uma turma de "não estou nem aí". Dá vontade de agir como Tim Maia: Mais grave, mais agudo, mais médio, mais tudo! Tergiversei? Então tá.
Pensei nisso e pensei também no enfrentamento de uma sala de aula, professor x aluno. Estou assistindo a quarta temporada da série "The Wire", passada em Baltimore, mostrando o início do ano letivo. Meu filho, que estudou por 1 ano em El Paso, Texas, fronteira com México também me garantiu que nos EUA o sistema está falido. Professores fazem que ensinam e alunos nem fingem que aprendem. Há um outro mundo aqui fora. Uma outra linguagem. Como pode um professor enfrentar alunos sem armas dignas? Não é preciso ser classe média para chegar a um computador. Em uma cidade como Belém, há lan houses e o mais incrível, uma maneira absolutamente criativa de encarar a modernidade. O inglês, os gadgets tecnológicos chegam e sua utilização, sem que ninguém entenda inglês ou os detalhes técnicos de cada aparelho, é desenvolvida. E o professor ali, com um quadro negro atrás de si, ensinando Matemática. Mas em casa ligam a tv e ouvem, se não é um Português com um sotaque paraense, ao menos é falado corretamente e isso não se impõe. Pais e filhos falam o dialeto. Leio em um blog do primeiro dia de aula, na Universidade, turma de Ciência Política e me pergunto que tipo de retorno haverá. Sure, os alunos estão ali com algum nível de entendimento e interesse, penso. Mas haverá neles algum discurso? Ouço jovens e cada vez mais me desespero. Essa geração atual parece gostar mais de bater palmas, estar na platéia do que no palco, protagonizando os acontecimentos. O que um professor de Ciência Política fará para alcançar o interesse? E a turma de alguma maneira animará esse professor? Ensinei por alguns poucos anos na Ufpa, Curso de Jornalismo e Propaganda. Um dos motivos para deixar o Magistério foi porque um dia, voltado ao quadro negro, ensinando como fazer um jingle publicitário, virei-me para os alunos e percebi, de alguma maneira, estar mais animado, mais envolvido do que eles. E me perguntei o que fazia ali, nove horas da noite, após um dia inteiro de trabalho, ensinando, empolgado, para uma turma de "não estou nem aí". Dá vontade de agir como Tim Maia: Mais grave, mais agudo, mais médio, mais tudo! Tergiversei? Então tá.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
Comment te dire adieu
Ouvi como trilha sonora de uma novela da Globo, não sei qual. Uma nova gravação, penso, para Comment te dire adieu, que foi um grande sucesso ali no final dos anos 60, começo dos 70. Tinha um arranjo simples, pop francês e tudo que me lembro é que estava perdidamente apaixonado, platônicamente apaixonado, e quando essa música tocava, não sei se no clube Netuno do Mosqueiro ou na boate da Assembléia Paraense, meu coração parava. Ainda pára, hoje, ao ouvir. Com o tempo, consegui várias regravações. Quem canta no original é Françoise Hardy, linda, magrinha, loura e francesa. Quem compôs foi o gênio Serge Gainsbourg e claro, Jane Birkin também gravou, inclusive, ambas, Françoise e Jane (inglesa), gravaram uma homenagem a Serge, muito bonita. Segue a letra em francês e após, a tradução. É preciso se ligar no jogo de sons que Serge propõe, usando o "ex" como uma vírgula, como um compasso, dividindo palavras inteiras. Bom, Serge tem um parceiro, Gabriel Yared, famoso compositor de trilhas para filmes, que fez a melodia.
Sous aucun prétexte je ne veux, Avoir de réflexes malheureux, Il faut que tu m'expliques un peu mieux, comment te dire adieu
Mon coeur de pyrex, résiste au feu, je suis bien perplexe, je ne veux, me résoudre aux adieux, comment te dire adieux
Je sais bien qu'un ex amour n'a pas de chance ou si peu, mais pour moi une explication vaudrait mieux
Sous aucun prétext je ne veux, devant toi surexposer mes yeux, derriére un Kleenex je saurais mieux, comment te dire adieu
Coment te dire adieu
Tu as mix à l'index, nos nuits blanches, nos matins gris bleu, Mais pour moi un explication vaudrait mieux
Sous aucun prétexte je ne veux, devant toi surexposer mes yeux, derriére un Kleenex, je saurais mieux, comment te dire adieu
comment te dire adieu
comment te dire adieu
Tradução
Sem nenhum pretexto eu não quero ter reflexos infelizes, preciso que eu me expliques melhor, como te dizer adeus
Meu coração de silex rápido pega fogo, teu coração de pirex resiste ao fogo, fico perplexo, não quero, já decidi dizer adeus
Eu sei muito bem que um ex amor não tem chance de sucesso, mas eu queria uma explicação
Sem nenhum pretexto não quero chorar na tua frente, se eu tivesse um Kleenex seria bem melhor
Como te dizer adeus
Tu me lembraste de nossas noites em claro, nossas manhãs cinzas e tristes, mas eu queria uma explicação
Sem nenhum pretexto, não quero chorar, se eu tivesse um Kleenex seria melhor
Como te dizer adeus
Sous aucun prétexte je ne veux, Avoir de réflexes malheureux, Il faut que tu m'expliques un peu mieux, comment te dire adieu
Mon coeur de pyrex, résiste au feu, je suis bien perplexe, je ne veux, me résoudre aux adieux, comment te dire adieux
Je sais bien qu'un ex amour n'a pas de chance ou si peu, mais pour moi une explication vaudrait mieux
Sous aucun prétext je ne veux, devant toi surexposer mes yeux, derriére un Kleenex je saurais mieux, comment te dire adieu
Coment te dire adieu
Tu as mix à l'index, nos nuits blanches, nos matins gris bleu, Mais pour moi un explication vaudrait mieux
Sous aucun prétexte je ne veux, devant toi surexposer mes yeux, derriére un Kleenex, je saurais mieux, comment te dire adieu
comment te dire adieu
comment te dire adieu
Tradução
Sem nenhum pretexto eu não quero ter reflexos infelizes, preciso que eu me expliques melhor, como te dizer adeus
Meu coração de silex rápido pega fogo, teu coração de pirex resiste ao fogo, fico perplexo, não quero, já decidi dizer adeus
Eu sei muito bem que um ex amor não tem chance de sucesso, mas eu queria uma explicação
Sem nenhum pretexto não quero chorar na tua frente, se eu tivesse um Kleenex seria bem melhor
Como te dizer adeus
Tu me lembraste de nossas noites em claro, nossas manhãs cinzas e tristes, mas eu queria uma explicação
Sem nenhum pretexto, não quero chorar, se eu tivesse um Kleenex seria melhor
Como te dizer adeus
segunda-feira, 31 de janeiro de 2011
Em pó todos nos tornaremos um dia
Como todos, estou chocado com a queda do edifício Real Class, na 3 de maio. Estava em um clube, antes de jogar futebol e os amigos também chocados, ligados na web e na tv para detalhes. É um absurdo sem tamanho a ocorrência, não bastasse a do Marques Farias, onde, por lentidão de nossa Justiça, todos escaparam impunes. E olha que um dos construtores é meu amigo. Outro amigo, também engenheiro, não permite que façamos logo especulações sobre fundações ou traço de concreto. Sim, é cedo, claro. É preciso um laudo. Cursei quatro anos de Engenharia Civil para saber meros detalhes. Não há terreno enlameado, ou encharcado que não permita fundação. Há fundações mais caras e mais baratas, no tanto que se deve cavar até alcançar a "nega", parte dura do solo e há tambem diferentes tipos de estacas, conforme o tipo de terreno. Quanto ao traço do concreto, onde poderíamos especular que tivessem levado o coeficiente de segurança à insegurança, há exames de corpos de prova que acompanham tudo. Nada disso irá salvar as vidas que lá ficaram ou a empresa de engenharia construtora que tem seu nome desabado em um mercado que vive momento de selvagem concorrência. Pior o rapaz, filho do dono, um ano de formado, responsável pela obra. Não há nada de errado. O problema é que caiu e aí? Quanto custará? Vai fechar a firma e abrir outra, outro nome, outro tudo? Haverá punidos? Como fica o nome da Engenharia no Pará? Há realmente fiscalização? Eu, que sou um leigo, quando passo ali pelo Umarizal, cercado por prédios em construção, cada um acima de trinta andares, não posso deixar de me perguntar para onde vai todo o cocô dessas famílias inteiras que ali vão morar. Há estrutura de esgotos, galerias pluviais? Não, acho que não. E o solo, revolto, as ruas estourando em buracos enormes, interditadas. Ali na Pedro Álvares Cabral, monumentos de concreto, gigantescos, bloqueando o vento. E vem a combinação de chuva e maré para invadir a loja, tão cara, cheia de carros preciosos, estragando os móveis, as vendas. O preço nas alturas. E quem está comprando esses apartamentos de 500 mil reais? Prédios novos, vendidos ainda na planta e depois de inaugurados, às escuras. Quem comprou foi para investir ou para lavar? E desaba esse gigante de trinta e poucos andares em um, dois segundos, transformando anos e anos de credibilidade da empresa e da Engenharia local em poeira. Em pó todos os tornaremos um dia.
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