Vem aí o segundo turno para a eleição do governador no Pará e as pessoas que fazem Cultura e penso, todas as demais para quem a Cultura deveria ser de primeira importância, não sabem em quem votar. É preciso dizer que, tendo em vista os números vergonhosos, escandalosos, negativos de nosso Estado, em todos os quesitos como Saúde, Educação, Saneamento e Cultura, nenhum, repetindo, nenhum dos atuais candidatos, dos políticos em ação nos últimos 50 anos, tem o direito de pedir nosso voto. Mas como o fato é que temos eleição e escolhas a fazer, em quem votar?
Em Simão Jatene? Cantor, violonista e compositor, quando se elegeu sucedendo Almir Gabriel, parecia, finalmente, ser a redenção da Cultura, após oito anos do construtor de bibelôs. O grande poeta JJ Paes Loureiro já tinha sido votado, por artistas ligados à campanha, para ser o Secretário, ele que saindo da Seduc, criou o IAP, onde ficou isolado, meramente por estar na mesma área do bibeloseiro. Às vésperas da eleição, já contando com a vitória, Gabriel, em público, lançou o bibeloseiro para continuar sua "obra", na Secult. E assim foi. Pior, mantendo-o ali, Jatene fatiou os demais órgãos, de tal maneira que nos quatro anos de seu governo, cada setor atirava para um lado e ninguém acertava nada. A gestão continuou amadora e tudo piorou ainda mais. a gestão da Cultura precisa ser profissional, articulada, os órgãos funcionando interligados. Aqui, tudo ao contrário. Diante da ameaça da continuação do desastre, com a eleição de Gabriel, muitos chegaram a fazer campanha para Ana Júlia. O pessoal do PT sempre foi ligado à Cultura. Seus candidatos e políticos estão sempre nos shows, nas peças de teatro, enfim, agora vai. E Ana Júlia escolhe para Secult um obscuro vereador de sua ala no PT. Nos próximos quatro anos, sob a desculpa de um tal Plano Estadual de Cultura, ele percorreria o Pará de ponta a ponta, de tal maneira que se candidatou a deputado e se elegeu. Quanto à Cultura, de verdade, nada. O mais engraçado é que o discurso do novo deputado e do bibeloseiro é igual, dizendo que não vão paternalizar a Cultura, nem encher a pança das mesmas figuras de sempre. Essas figuras de sempre devem ser os idiotas que teimam em fazer Cultura neste Estado. Ana Júlia também manteve o critério de fatiar toda a área, com um gestor de diferente partido para cada órgão. E para estes, nada, ou seja, queriam cargo, têm, mas agora dêem seu jeito. Tudo amador, tudo com outro intuito. Gente que viaja pelo mundo e ao invés de aprender, desaprende. Ou então não vê nada. A Cultura é fonte de emprego, renda e impostos no mundo inteiro. Aliada ao Turismo, rende muito mais. É mais do que sabido. Não adiante repetir. Virou lenga lenga. Se Ana Júlia vencer, qual será o político novo em que vai apostar, colocando na Secult? E se Simão Jatene for eleito, virá o bibeloseiro? E qualquer deles que ganhe, manterá a Cultura fatiada, sem forças? Que situação. Tudo somente parece piorar.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
The Runaways
Não sei se já passou nos cinemas, mas assisti ao filme The Runaways, sobre uma banda feminina de rock and roll que agitou um bocado ali nos anos 80, creio. Seus discos saíram no Brasil, mas somente os mais espertos sacaram. Eu ouvi todos, facilitado por trabalhar em rádio em uma época em que as gravadoras entregavam discos em pacotes semanais. O grande lance das Runaways é porque veio quebrar o machismo do rock. Elas fizeram sucesso e também viveram o sucesso em todas as suas etapas. A história é a mesma, no caso delas, mulheres. Não cabiam em nenhuma turma, faziam música. Joan Jett encarou Kim Fowley, um super produtor de pop e ele percebeu a jogada da banda feminina. Juntou Joan com Lita Ford e depois achou que precisavam de uma mulher sedutora como cantora. Achou Cherie Currie. Elas foram para a estrada e rolou de tudo. Sexo, drogas e rock and roll. Cherie não aguentou e saltou fora. A banda ainda continuou algum tempo. Joan Jett curou a ressaca e veio com seus Blackhearts e fez ainda mais sucesso. Lita Ford tentou mas não deu. Ponto. O filme é fraco. Não conseguem a atmosfera. Nem contam o começo, nem o meio, nem o fim. Mulheres bonitas e não temos nudez. Me poupe. Não é querer dar uma de macho, estou dizendo do que devia ser. Joan, sapato, ficou com Cherie e passam apenas uns beijos. Mas drogas, cheiradas, tem de monte. O que você prefere? Ver gente cafungando ou mulheres nuas? Kristen Stewart faz Joan, Dakota Fanning faz Cherie. O ator que faz Kim é bem esforçado. Não achei um filme rock and roll. Ah, hoje, Cherie trabalha em uma clínica para viciados, como orientadora. Ela teve muita dificuldade em largar. O som das meninas era bom, somente isso.
A Parede de Roger Waters
Eu estava muito bem instalado no Estádio do Morumbi, São Paulo, quando Roger Waters começou a tocar um dos clássicos de "Dark side of the moon". Estava de pé, procurei chegar mais próximo, tentei filmar em máquina tosca, pensei em pedir a um dos seguranças, que filmasse um pouco para que eu pudesse assistir sem nenhum filtro, aquilo que minha mente queria guardar. Aquele negócio em que perdemos o melhor dos acontecimentos por conta de uma filmadora onde assistiremos, mais tarde, o que era tão importante. Pois é, quando olhei ao lado, para o segurança, ele também filmava e cantava a plenos pulmões. E logo adiante, os helicópteros soavam naquele estádio enorme, o pig inflável estava sob nossas cabeças e eu confesso, chorei de emoção. A diferença brutal entre o momento em que ouvi aquele som pela primeira vez, em vinil, em Belém do Pará, absolutamente distante de tudo e agora, à minha frente. Como o Pink Floyd nunca teve em seus integrantes, músicos performáticos, suas apresentações, no início, apostavam em projeções psicodélicas, até Waters enveredar por ilustrações mais teatrais, digamos. Então veio "Wish you were here", como uma obra inteira, já usando problemas pessoais de seu autor com citações de Syd Barrett e transbordou tudo em "The Wall". Roger hoje diz que ele e David Gilmour cresceram muito em direções opostas e foi fatal haver um choque de opiniões. Os demais companheiros não estavam muito interessados. E Roger fez quase tudo em "The Wall". Gravavam em estúdios diferentes, nos EUA. Ele, sempre, contratando músicos, côros, pensando no show, em como fazer, chamando Gerald Scarf com seus desenhos, agora tridimensionais. "Another brick on the wall", que alguém sugeriu a batida da galera do Chic e foi super acertado, dando a eles um super hit. E no meio da briga, o produtor Bob Ezrin pega os tapes e se tranca em casa, no estúdio particular, de onde volta com uma sequência, uma ordem das músicas. O magistral solo de David Gilmour em "Comfortably Numb", saibam, foi feito de prima. Houve poucos shows. Tudo era muito caro. E as brigas. Ainda veio um último disco, novamente com Roger no comando e tchau. Brigas judiciais, a volta do PF sem Waters. Seus discos solo. Seu retorno no Live Aid. Agora, Roger Waters está mostrando "The Wall", pelo mundo. Tomara que venha por aqui. Gilmour disse que fará o solo de "Comfortably.." em algum dos shows.
E o que é "The Wall". Uma mistura das angústias de Roger, que perdeu o pai quando ainda tinha cinco meses de idade. Ele morreu na Batalha de Anzio, Segunda Guerra Mundial. Aos colegas, Roger dizia que o pai ainda voltaria. Pediu à mãe para ir buscá-lo em Anzio. As angústias de Syd Barrett, envolvido na bruma entre as drogas e a veneração dos fãs. E suas angústias como artista pop, a quem todos vêem como um deus, todos querendo tirar um pedaço e ele é apenas um ser humano frágil, mas que, do alto daquele palco, pode se tornar um ditador. É curioso que Roger tenha tanta admiração pelo primeiro disco solo de John Lennon, que traz "Mother", e uma das canções mais expressivas de "Wall" seja, justamente, "Mother".
É o que se escreve depois de "pensar alto". Acabei de ler uma entrevista de RW à Rolling Stone americana. Gosto dele. De sua música, o ambiente, teatral, com sons do dia a dia, como também fez o Sparklehorse. Acho que vou ouvir "The Wall"
E o que é "The Wall". Uma mistura das angústias de Roger, que perdeu o pai quando ainda tinha cinco meses de idade. Ele morreu na Batalha de Anzio, Segunda Guerra Mundial. Aos colegas, Roger dizia que o pai ainda voltaria. Pediu à mãe para ir buscá-lo em Anzio. As angústias de Syd Barrett, envolvido na bruma entre as drogas e a veneração dos fãs. E suas angústias como artista pop, a quem todos vêem como um deus, todos querendo tirar um pedaço e ele é apenas um ser humano frágil, mas que, do alto daquele palco, pode se tornar um ditador. É curioso que Roger tenha tanta admiração pelo primeiro disco solo de John Lennon, que traz "Mother", e uma das canções mais expressivas de "Wall" seja, justamente, "Mother".
É o que se escreve depois de "pensar alto". Acabei de ler uma entrevista de RW à Rolling Stone americana. Gosto dele. De sua música, o ambiente, teatral, com sons do dia a dia, como também fez o Sparklehorse. Acho que vou ouvir "The Wall"
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
O Maguenhéfico
O MAGUENHÉFICO
Quando conheci meu avô, ele já estava bem velhinho. Passava pouco tempo em sua escrivaninha, no segundo andar do Palácio do Rádio, sobre a qual havia sempre muitos recortes de jornal e papéis escritos à mão em uma caligrafia nervosa e difícil de entender. Baixinho, magro e cabeçudo, seus amigos diziam que eu era uma miniatura dele. Nas ruas, andava lentamente, atendendo conhecidos e pedindo-lhes para escrever seus nomes em uma caderneta amassada, dizendo que era para mencioná-los em sua crônica. Na verdade, não lembrava seus nomes.. Às vezes, no imenso pátio da casa em Mosqueiro, antes de sentar e ficar acenando para os amigos, danava a lembrar acontecimentos. Eu bebia o que contava. Uma época maravilhosa, romântica, como uma Paris em plena Amazônia, com homens de paletó de linho, chapéus de palha, cafés lotados.
Uma vez, estádio da Curuzu, Remo e Paysandu jogando, Amoroso escondeu-se dos zagueiros alviazuis na saída de uma bola pela linha de fundo.
Quando o goleiro Omar repôs a bola para o zagueiro Abel, o atacante azulino veio, roubou a bola e fez o gol. Ele, que foi um dos fundadores do Paysandu, precisou ser contido em sua emoção, com tantas vibrações. Meu avô querido.
Nascido em fevereiro de 1892, cedo perdeu o pai, largou os estudos e foi trabalhar para sustentar mãe e três irmãs. Aos sábados, um padrinho reunia amigos em sua casa para almoçar. Ele levava o jornal “O Pau”, que passava de mão em mão entre os convivas que pagavam para ler. O dinheiro servia para comprar livros e cadernos. Foi despachante representando várias empresas, entre elas, a Fábrica Palmeira. Jornalista, escreveu em A Província do Pará, A Tribuna, Folha do Norte e O Estado do Pará, tornando-se um dos grandes nomes do setor, recebendo o título “Príncipe dos Cronistas Esportivos do Norte”. Criou o apelido “Leão Azul”, para o Clube do Remo. Foi um dos fundadores da Aclep, Associação dos Cronistas Esportivos do Pará. Nada disso era suficiente. Edgar Proença também foi redator de revistas como A Semana e Pará Ilustrado, sendo um dos primeiros colunistas sociais, sob o pseudônimo Miracy, crônicas depois reunidas no livro “Gravetos”. Ou ainda “Crônica da Cidade Morena”, o apelido que deu a Belém.
Juntamente com Eriberto Pio dos Santos e Roberto Camelier, fundou em 1928 a querida Rádio Clube do Pará, na qual foi homem de todos os instrumentos, como primeiro locutor esportivo, apresentador de programas, rádio ator e redator. Nas praças esportivas, me contaram, deixava de narrar o jogo em andamento para saudar a chegada de alguma senhorita de grande beleza. Naquela época, eram acontecimentos sociais os jogos de futebol. Imagine se fosse hoje..
Tendo a chance, já adulto, voltou a estudar e formou-se em Direito em 1936, chegando às funções de Juiz Substituto da capital.
Além de “Gravetos”, publicou os livros “Colcha de Retalhos” e “Melodias do Coração”, o que lhe deu lugar na Academia Paraense de Letras. Também atuou no Teatro, sendo autor de peças como “Taça Vazia”, “Blusa de Chita”, “A Mulher que Passa” e “Vestido de Noiva”, apresentadas no Teatro da Paz, casa que dirigiu anos mais tarde.
Quando a Rádio Clube completou 80 anos, escrevi a peça “A Voz que Fala e Canta para a Planície”, encenada pelo Grupo Cuíra, com grande êxito. Foi uma ocasião única para mergulhar na história desse homem esplêndido, realizador, ousado, que a tudo vencia com trabalho, inteligência, talento e verve. Casado com Celina Proença, teve dois filhos, Edyr e Célia. E os netos, todos mexendo em Comunicação, de uma maneira ou outra, caminho, também de alguns bisnetos.
Quando morreu, eu já era adolescente e tinha perfeita idéia da trajetória e dos feitos daquele meu avozinho baixinho e cabeçudo, que andava de pijamas e chinelos arrastando, lendo seus jornais. Um gigante o meu avô. O maguenhéfico!
Quando conheci meu avô, ele já estava bem velhinho. Passava pouco tempo em sua escrivaninha, no segundo andar do Palácio do Rádio, sobre a qual havia sempre muitos recortes de jornal e papéis escritos à mão em uma caligrafia nervosa e difícil de entender. Baixinho, magro e cabeçudo, seus amigos diziam que eu era uma miniatura dele. Nas ruas, andava lentamente, atendendo conhecidos e pedindo-lhes para escrever seus nomes em uma caderneta amassada, dizendo que era para mencioná-los em sua crônica. Na verdade, não lembrava seus nomes.. Às vezes, no imenso pátio da casa em Mosqueiro, antes de sentar e ficar acenando para os amigos, danava a lembrar acontecimentos. Eu bebia o que contava. Uma época maravilhosa, romântica, como uma Paris em plena Amazônia, com homens de paletó de linho, chapéus de palha, cafés lotados.
Uma vez, estádio da Curuzu, Remo e Paysandu jogando, Amoroso escondeu-se dos zagueiros alviazuis na saída de uma bola pela linha de fundo.
Quando o goleiro Omar repôs a bola para o zagueiro Abel, o atacante azulino veio, roubou a bola e fez o gol. Ele, que foi um dos fundadores do Paysandu, precisou ser contido em sua emoção, com tantas vibrações. Meu avô querido.
Nascido em fevereiro de 1892, cedo perdeu o pai, largou os estudos e foi trabalhar para sustentar mãe e três irmãs. Aos sábados, um padrinho reunia amigos em sua casa para almoçar. Ele levava o jornal “O Pau”, que passava de mão em mão entre os convivas que pagavam para ler. O dinheiro servia para comprar livros e cadernos. Foi despachante representando várias empresas, entre elas, a Fábrica Palmeira. Jornalista, escreveu em A Província do Pará, A Tribuna, Folha do Norte e O Estado do Pará, tornando-se um dos grandes nomes do setor, recebendo o título “Príncipe dos Cronistas Esportivos do Norte”. Criou o apelido “Leão Azul”, para o Clube do Remo. Foi um dos fundadores da Aclep, Associação dos Cronistas Esportivos do Pará. Nada disso era suficiente. Edgar Proença também foi redator de revistas como A Semana e Pará Ilustrado, sendo um dos primeiros colunistas sociais, sob o pseudônimo Miracy, crônicas depois reunidas no livro “Gravetos”. Ou ainda “Crônica da Cidade Morena”, o apelido que deu a Belém.
Juntamente com Eriberto Pio dos Santos e Roberto Camelier, fundou em 1928 a querida Rádio Clube do Pará, na qual foi homem de todos os instrumentos, como primeiro locutor esportivo, apresentador de programas, rádio ator e redator. Nas praças esportivas, me contaram, deixava de narrar o jogo em andamento para saudar a chegada de alguma senhorita de grande beleza. Naquela época, eram acontecimentos sociais os jogos de futebol. Imagine se fosse hoje..
Tendo a chance, já adulto, voltou a estudar e formou-se em Direito em 1936, chegando às funções de Juiz Substituto da capital.
Além de “Gravetos”, publicou os livros “Colcha de Retalhos” e “Melodias do Coração”, o que lhe deu lugar na Academia Paraense de Letras. Também atuou no Teatro, sendo autor de peças como “Taça Vazia”, “Blusa de Chita”, “A Mulher que Passa” e “Vestido de Noiva”, apresentadas no Teatro da Paz, casa que dirigiu anos mais tarde.
Quando a Rádio Clube completou 80 anos, escrevi a peça “A Voz que Fala e Canta para a Planície”, encenada pelo Grupo Cuíra, com grande êxito. Foi uma ocasião única para mergulhar na história desse homem esplêndido, realizador, ousado, que a tudo vencia com trabalho, inteligência, talento e verve. Casado com Celina Proença, teve dois filhos, Edyr e Célia. E os netos, todos mexendo em Comunicação, de uma maneira ou outra, caminho, também de alguns bisnetos.
Quando morreu, eu já era adolescente e tinha perfeita idéia da trajetória e dos feitos daquele meu avozinho baixinho e cabeçudo, que andava de pijamas e chinelos arrastando, lendo seus jornais. Um gigante o meu avô. O maguenhéfico!
Iracundo, o romance de Damaso
Acabei de ler os originais do primeiro romance do jornalista Marcelo Damaso, mais um jovem escritor à procura de uma Editora, de um canal para divulgar seu trabalho. Gostei muito. Primeiros romances costumam ter tons autobiográficos. Tal não se aplica a mim, mas é uma realidade. O personagem é jovem, depois de 25 anos, formado em jornalismo, trabalhando na assessoria de imprensa de um órgão federal em Belém. Não é preciso dizer que ele sofre dessa depressão que atinge qualquer jovem nesta cidade, que ligado na internet ou tv, tem acesso à a torrente de novidades e possibilidades que correm no mundo, em situação diametralmente oposta ao que acontece nesta cidade. Cultura, Educação, Trabalho, nada temos a oferecer que satisfaça um garoto ávido, curioso, com muito talento e desejando participar dessa vida. O personagem quer escrever um romance on the road. Sai pela estrada e após várias peripécias, vai dar no Uruguai. A leitura vai rápida, fácil, cada frase puxando outra, bom ritmo e de repente, terminamos querendo mais. Tomara que Iracundo seja lançado. Marcelo é um escritor que tem coragem de usar Belém como ponto de partida. Belém urbana, seus jovens e problemas. Gostei.
Os Frenemies
Nenhuma amizade é perfeita. Meus amigos me decepcionaram muitas vezes. Me faltaram. Tenho apenas três ou quatro amigos de verdade. Não incluo familiares na lista, claro. É outra categoria. Minha mãe, irmãos, meus filhos. Mas também não sei onde colocar aqueles que estão sempre por perto, que não chegam a ser apenas colegas, mas também não são amigos. Mas é certamente nesse bloco maior que estão os que hoje são chamados de Frenemies, uma junção de friend e enemy, amigo e inimigo. Sabe aquele cara que está sempre por perto, participa da conversa, é até chamado pra festinha de aniversário, faz parte da turma, mas que não deixa de jogar farpas em tudo o que você faz? Ele até diz "sabe, eu só quero ajudar, mas.." e esculhamba conosco. Esse é o frenemy, um inimigo disfarçado de amigo ou alguém que é ao mesmo tempo, amigo e inimigo. Mas vamos combinar, somos todos tão vários, que realmente, nenhuma amizade é perfeita. Um amigo ficou bem chateado comigo por ter escrito um conto a partir de algo que lhe aconteceu. Eu não imaginei isso. Achei que o efeito seria contrário. Escritores são vampiros de histórias. Pulam no pescoço e roubam, mesmo. Nunca é exatamente o que foi dito, mas está lá. E veio a queixa. Devia ter pedido permissão. Sensação estranha, sua história, sua vida, aquele momento, agora, ali, no papel. Mas acho que tergiversei. Esse desentendimento foi outra coisa. E o Frenemy? Você conhece algum?
Pato Fu para crianças grandes
Grande idéia a do Pato Fu, uma banda que de indie passou a ser estrela da música pop, até dar uma parada. Fernanda e John tiveram filho, deram um tempo e na primeira tentativa de retorno, fracassaram. Mudou o mundo, o mercado, mudou tudo. Num mundo de novidades o tempo todo, ninguém quer gravar nada novo, com medo de rejeição. Então veio a idéia de gravar um cd com músicas que gostam, música pop, tipo Tim Maia, Rita Lee, Paul McCartney, mas com instrumentos de criança. O resultado é brilhante, nada de infantil no que pode significar algo menos importante, mas totalmente infantil em questão lúdica, a transformação de instrumentos simples, ou sua adequação a um som adulto, mas também festivo, naquilo que a música tem de natural, alegre, infantil. Será que me expliquei ou virou lero? É muito bom. Tomara que receba prêmios tipo Grammy, premiando a inventividade, mas melhor que isso, tomara que muita gente escute.
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