terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Flamengo Campeão

Por força das circunstâncias, passei a maior parte da infância e pré adolescência indo ao campo de futebol assistir com meu pai milhares de jogos, desde intermunicipal a campeonato brasileiro. Sentava-me, pequeno e magrelo, em uma ponta do banco onde estava, além dele, geralmente, Grimoaldo Soares, o grande comentarista, que talvez não gostasse muito das mentas que lhe roubava. Depois, meu pai já era o comentarista e eu continuava ali sentado no canto. Mais adiante, trabalhei como comentarista de futebol transmitido por televisão em canal fechado. Fica entranhada outra postura que não a de um torcedor. Exatamente o oposto. Não podia gritar, xingar, vibrar. Nada. O lado positivo foi aprender a "ler" uma partida que se desenrole à minha frente. Mas dificilmente vibro, ainda hoje, por conta do costume. Mas é que o Flamengo campeão pela sexta vez do Campeonato Brasileiro foi uma grande emoção. Os desconfiados de tudo espalham que houve um grande "aggiornamento" para isso. Também é verdade que o Grêmio jogou com muitos reservas e se uma equipe quer ser campeã, precisa ganhar e bem uma equipe escalada assim. Mas o que mais me emocionou foi o outro lado desse Flamengo endividado, que no dia seguinte à vitória deu um dos passos mais importantes de sua história ao eleger Patrícia Amorim sua presidente, tirando da frente mega ladrões que conseguiram jogar o clube no mais profundo dos poços. O que me emocionou foi mais uma vez, a grande força do futebol, que é a amizade. A união. O Real Madri é cheio de astros, mas não repete o ajuste do Barcelona. Há outros exemplos mais claros. Amizade a Andrade, grande figura, tímido, educado, "na dele", de quem todos desconfiaram e no entanto, além de mudar o esquema deixado por Joel Santana e seguido por todos os outros, uniu o grupo, onde todos "sujavam o calção" pelo companheiro. Jogadores medianos, veteranos, malandros da noite carioca, comandados pelo sérvio Petkovic e Adriano, no momento certo, aceleraram e chegaram àquele domingo. E no sofrimento do gol da vitória, vem a cabeçada de Ronaldo Angelim, um cearense tímido, magro, pouca massa muscular, pouca altura, leal, discreto, eficiente e correto. O gol de Angelim me fez chorar, pelas maravilhas que o futebol nos proporciona. Andrade e Angelim. Não podia ser melhor. Chorei por mim e por meu pai que adoraria assistir. Chorei por meus filhos que me enviaram sms. Agora, como será o ano que vem, ninguém sabe. Mas é outro assunto.

2 comentários:

Francisco Rocha Junior disse...

Edyr,
Tua mira sobre estas duas figuras doces, antítese da maioria absolutamente arrogante do futebol (onde pontuam, inclusive, figuras como o goleiro Bruno e o lateral Léo Moura, do próprio Flamengo), foi perfeita.
O rubronegro deve muito a Angelim e Andrade - este, membro do melhor time brasileiro que já vi jogar. Eles, como espíritos sábios que já viveram muitas coisas no dia-a-dia da bola e não se deixam contagiar pelo mau-caratismo que campeia em um esporte tão popular quanto maravilhoso, deram uma senhora lição de humildade e perseverança.
Além do mais, o desempenho de Flamengo, Vasco e, no outro lado do prisma, Fluminense e Botafogo - estes, apesar dos pesares - trouxe de volta à vitrine da mídia a paixão das torcidas cariocas, a tradicional e verdadeira Meca do futebol nacional.
Abaixo o futebol insosso de São Paulo, do chatíssimo Murici Ramalho e do fakíssimo Wanderlei Luxemburgo. Vivam Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo.
Abraço.

Val-André Mutran disse...

Olá Edyr.
Solicito uma entrevista contigo.
Caso positivo, envie o número de seu celular para valmutran@gmail.com
Abraços.